segunda-feira, 4 de abril de 2011

Surge um império

Antes atoladas em dívidas, agora a Corol, Cocamar e Cofercatu compõem um império agrícola com capacidade para faturar R$ 3 bilhões

Viviane Taguchi

Uma negociação de proporções gigantescas está sendo feita nos bastidores do agronegócio brasileiro. O sinal verde já foi dado e agora, falta pouco para que a Cocamar, a Corol e a Cofercatu, todas localizadas no norte paranaense, tornem-se uma só. Não uma qualquer, mas a segunda maior cooperativa agrícola do Brasil, atrás somente da Coamo, e com o poder de produzir grãos, laranja e cana em 1,310 milhão de hectares e alcançar o faturamento de R$ 3 bilhões ao ano. A fusão, considerada “apetitosa” pelos presidentes das três empresas, já foi aprovada pelos 14 mil associados, e representa uma saída inteligente para quem estava perdendo o patrimônio para as dívidas. Foi como matar um coelho com uma paulada só, sem arranhar os preceitos do cooperativismo que regem o negócio. “Podemos resumir este negócio como uma solução viável, legal e que agrega valores sem precedentes a Corol, Cocamar e Cofercatu”, disse Eliseu de Paula, presidente da Corol, à DINHEIRO RURAL. “O processo ainda terá várias etapas até ser concluído, mas é certo que trabalharemos para criar uma empresa robusta que estará entre as primeiras não só no Brasil, mas em toda a América Latina”.
A segunda fase do negócio deve sair até o fim do ano. “As análises detalhadas da saúde financeira da Corol e Cofercatu estão sendo feitas para avaliarmos melhor como vamos proceder de agora em diante”, explica o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, cuja cooperativa se encontra em confortável situação financeira. “A Cocamar não vai pagar as dívidas da Corol ou Cofercatu, mas teremos condições melhores de negociar com os credores”. Com a incorporação dos ativos, as três cooperativas resolvem seus problemas e ganham mais poder. A Corol acumula dívidas de R$ 360 milhões, dos quais R$ 20 milhões foram pagos em abril com o repasse de dois armazéns para a Cooperativa Integrada de Londrina. Sem a fusão, seria obrigada a vender a usina de etanol e açúcar por R$ 320 milhões e já havia conversas avançadas neste sentido com pelo menos três grupos sucroenergéticos, um brasileiro e dois estrangeiros. “Se a usina fosse repassada as dívidas seriam pagas, mas optamos por uma estratégia que nos dá mais segurança, explica Paula. A Cofercatu já tinha repassado sua usina para o Grupo Alto Alegre, em março, por R$ 182 milhões, mas ainda passava por dificuldades, e a Cocamar, por sua vez, abocanhou o negócio para dar vazão às suas estratégias futuras. Com faturamento anual de R$ 1,4 bilhão, só alcançaria R$ 3 bilhões em 2015, segundo Lourenço.
José Otaviani Ribeiro, presidente da Cofercatu explica que após o fim do processo, as cooperativas preservarão suas marcas, mas serão uma só empresa. “Uma nova diretoria será eleita para a nova empresa que ampliará seus objetivos”. A nova super-cooperativa terá 59 unidades de recebimento de grãos e produzirá farelos e óleos vegetais, tecidos, açúcar e etanol, trigo, café torrado, rações e sucos concentrados através da marca Purity. “O nosso objetivo é que todo produto primário seja industrializado”, afirma. Para Lourenço, Paula e Ribeiro, a fusão de cooperativas é uma tendência. “A própria Coamo se tornou a maior cooperativa porque incorporou a Coagel, também quando esta passava por dificuldades”.

Dinheiro Rural - Junho de 2010

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