sexta-feira, 8 de julho de 2011



Essa é a capa do mês de Julho! Fui pro Oeste fazer a matéria com o Horita, com a Izabel e com o Uilham, que por conta da edição, não entrou.

Caramujos africanos podem virar etanol de segunda geração

Cientistas brasileiros detectaram enzimas capazes de produzir açúcar na praga que devasta lavouras

por Viviane Taguchi

Em Feira de Santana, na Bahia, eles se transformaram no pesadelo dos produtores rurais. No Oeste de São Paulo, viraram peste de lavoura e até de ruas, e em Minas Gerais, tornaram-se pragas da pior espécie para diversas culturas. Os caramujos africanos invadiram quase todas as áreas agrícolas brasileiras, em todas as regiões, e transformaram-se em uma verdadeira enxaqueca para o agronegócio. Antes de ser um mal para a saúde pública, estes molucos possuem grande poder de provocar desequilíbrio ecológico.

Mas agora, pesquisadores concluíram que esta praga rastejante pode ser benéfica e ter grande utilidade como coadjuvante na produção de etanol de segunda geração, como é chamado o álcool obtido a partir de celulose.

Os estudos com o caramujo africano foram concluídos recentemente pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e apontam que o aparelho digestivo do bicho, que é um devorador voraz de plantas (este é exatamente o estrago que ele faz nas lavouras e consequentemente, para o meio ambiente), tem enzimas, bactérias e fungos capazes de quebrar moléculas de celulose, resultando na produção de açúcares. Segundo os pesquisadores, várias outras pragas devoradoras de vegetais foram estudadas, mas só o caramujo africano apresentou esta capacidade.

O processo de transformação de plantas em açúcares dentro do organismo do caramujo seria semelhante ao processo realizado na usina. Depois de ingerir o alimento, as bactérias e os fungos que vivem no seu intestino agem conjuntamente com as enzimas e transformam a celulose, rica em lignina, em açúcares. O trato digestivo destes animais (biomassa de molusco) seria comparado ao bagaço que sobra nas usinas, mas com qualidade superior ao fungo trichoderma reesei (organismo atualmente utilizado para fermentar a celulose do bagaço no processo convencional). De acordo com o Inmetro, a biomassa do caramujo poderia passar pelo processo convencional de fermentação para ser transformada em etanol de segunda geração.

Mas as pesquisas e o uso comercial dos caramujos ainda podem estar longe de serem efetivados. De acordo com o pesquisador Wanderley de Souza, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda seria necessário encontrar um meio de isolar estes fungos, bactérias e enzimas e fazê-los crescer fora do organismo do caramujo. Segundo Souza, se esta alternativa for logo encontrada e tornar-se economicamente viável, seria possível dobrar a quantidade de etanol de segunda geração produzida no Brasil em um prazo de dois anos, com a mesma área plantada.

Por ser um processo moroso, as usinas queimam o bagaço que sobra da moagem da cana para gerar bioeletricidade e alimentar as instalações internas e exportar o excedente para as redes públicas, através de leilões.

A fabricação do etanol de segunda geração ainda é um gargalo para o setor, já que transformar o bagaço em monossacarídeo é difícil e exige grandes quantidades de tratamentos enzimáticos e ácidos. "A lignina presente nas paredes celulósicas da biomassa são quebradas com dificuldade, o que não aconteceu no intestino do caramujo", explica Souza.

Agora, o Inmetro vai testar e dar continuidade aos testes no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Migues de Mello, o Cenpes, órgão da Petrobras. Isso inclui gerar um fungo modificado geneticamente para acelerar o crescimento das enzimas do intestino dos caramujos fora do organismo deles.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Conheça o amaranto, a planta que veio do frio



Por Viviane Taguchi

O sol forte que empresta tons de laranja aos dias de inverno no Cerrado anuncia que é tempo de colher amaranto. A planta que veio do frio dos Andes para o calor do Planalto Central está ganhando terreno em um mercado que agrega valor em tudo que é mais rico em nutrientes e menos convencional na agricultura, o da alimentação saudável. Pesquisas científicas e adaptações de sementes ao clima e solo do Cerrado, elaboradas pela Embrapa Cerrados, resultaram na variedade BRS Alegria e despertou o interesse – ou tem feito a própria alegria - de agricultores que investiram no cultivo. Em Brasília, é possível comprar um quilo de grãos de amaranto direto do produtor por R$ 9, enquanto em São Paulo esse é o valor médio de 100 gramas de flocos do pseudocereal (sua composição nutricional é similar à dos cereais, mas não pertence à categoria). “Há disparidade de preços porque a produção nacional é tímida e precisamos importar o amaranto”, explica Carlos Spehar, professor da Universidade de Brasília (UNB) e responsável pela introdução da espécie no Brasil. O cientista a trouxe o vegetal do Peru nos anos 1980 e obteve a variedade adaptada cerca de dez anos depois, quando começou distribuir sementes para produtores de feijão do Centro-Oeste. Hoje, Spehar aponta cultivos do grão – que ele chama de feijão-dos-andes – no Cerrado, e no sul do país.



A produção nacional precisa crescer muito para atender à demanda dos consumidores ávidos por alimentos mais saudáveis. Hoje, a safra gira em torno de oito toneladas anuais e a demanda é estimada entre 15 e 20 toneladas. “São pessoas que têm um poder aquisitivo alto e não se importam em pagar mais para ter no prato um alimento mais rico, mais saudável”, ressalta Spehar. Walter Quadros Ribeiro Junior, da Embrapa, diz que, apesar da produção nacional ser pequena, a produtividade do amaranto no Cerrado supera a de países que o produzem em larga escala, como Peru e Bolívia. “A produtividade de nosso grão é de três toneladas por hectare, enquanto a média alcançada nesses países é de duas a 2,5 toneladas por hectare”, afirma o pesquisador. Ribeiro explica que o cultivo do amaranto pode ser feito em três épocas, safra, safrinha e inverno, e a produtividade depende da quantidade de água disponível para irrigação e dos índices pluviais do período. “Os melhores índices foram registrados na safra de inverno”, afirma. Spehar lembra que o uso da tecnologia possibilita produzir o ano todo. “Irrigação, correção de solo e equipamento adequado garantem produções permanentes”, diz.
O engenheiro agrônomo Sebastião Conrado de Andrade, proprietário da Fazenda Dom Bosco, em Cristalina (GO), pouco sabia sobre o amaranto quando a espécie lhe foi apresentada, em meados de 2001, por Spehar. Hoje, com produção anual média de seis toneladas, cultivadas em duas safras, ele é o maior fornecedor nacional do grão. “Aposto no cultivo visando a um mercado de longo prazo”, conta Andrade, que também produz quinoa, feijão, soja e milho e cria gado. Para se expandir mais rapidamente, o produtor diz que é preciso investir em tecnologia de equipamentos. “Por se tratar de um grão muito pequeno, há um índice de desperdício grande na colheita e no plantio.” Na Dom Bosco, parte da produção também substitui a alimentação do gado. “O caule do amaranto promoveu boa digestibilidade e foi mais bem aceito que a quinoa.”
As qualidades do amaranto, valorizadas pelo extenso uso em civilizações antigas como alternativa medicinal, movimentam bastante o ramo gastronômico. “Mas poderíamos trabalhar mais e melhor se tivéssemos facilidade em encontrar o produto no mercado”, reclama o chef de cozinha paulistano Renato Callefi. De acordo com ele, há no mercado paulista uma demanda grande por grãos inteiros. “Encontramos flocos de amaranto em lojas especializadas, mas comprar o grão é muito difícil”, diz ele. É justamente o grão a forma mais valorizada na culinária. Aquecido em panela sem óleo, o amaranto vira pipoca e, triturado, se transforma em farinha. Apesar de Callefi afirmar que o segredo está no tempero do amaranto, “sem gosto específico”, ele diz que a procura por pratos com o grão cresceu muito. “É um alimento com qualidades equilibradas, baixo teor glicêmico e aminoácidos essenciais. É para pessoas exigentes com o próprio corpo.”

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Alto custo de produção ameaça safra de cana no Egito

A produção sucroalcooleira egípcia, uma das principais atividades agrícolas daquele país, está passando por uma crise econômica e as perdas podem atingir pelo menos 65 mil feddans (unidade agrária do Egito, equivalente a 4200 metros quadrados) plantados com cana-de-açúcar. A crise ameaça principalmente os produtores rurais que plantaram na região do Alto Egito e as principais
causas seriam o alto custo de produção da cultura, como a alta nos preços dos fertilizantes e a escassez de energia elétrica nas principais regiões produtoras.

No Egito, na região de Wadi Al-Naqra, em Aswan, a produção de cana gira em torno de 17 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (1,5 milhão de toneladas de açúcar foram exportadas na safra passada), mas este ano, o país deve colher apenas 11 milhões de toneladas. Após os conflitos políticos ocorridos no país, as regiões produtoras do Alto Egito, que também se destacam pela forte cultura do trigo, vem sofrendo cortes de energia, o que impossibilita o uso de equipamentos de irrigação.

De acordo com o produtor rural el-Daba'wi Shehata, porta-voz dos agricultores de Manar, está faltando energia na região porque pelo menos 60 transformadores elétricos foram roubados das aldeias agrícolas. "Nós reclamamos para a empresa de distribuição de eletricidade e nos disseram que isso era responsabilidade da Companhia de Eletrificação Rural, que nos disse para procurar a empresa de distribuição de eletricidade. Ou seja, a agricultura está vivendo na escuridão", disse o produtor ao jornal The Egyptian Gazette. Ibrahim el-Folli, que também é fazendeiro na região afirmou à imprensa que os agricultores até assumiriam o pagamento dos equipamentos de energia. "Mas eles ignoraram nossos pedidos", disse el-Folli.


Pressão As perdas na safra egípcia podem fazer com que o preço do açúcar suba ainda mais no mercado internacional e a pressão para que o Brasil aumente as exportações fica cada vez maior. A commodity vem sofrendo altas constantes desde o ano de 2009, quando a Índia, um dos principais países produtores de açúcar, sofreu uma drástica redução na sua safra, em decorrência de fatores climáticos.
O Brasil se beneficiou do momento e ocupou a liderança nas exportações de açúcar. Segundo dados da Datagro, de toda a cana colhida em 2010/2011 (580 milhões de toneladas), 30,6% foram destinados à produção de açúcar para exportação e apenas 15% para o consumo interno. O consultor Plínio Nastari, diretor-presidente da Datagro, diz que a produção açucareira
brasileira vai continuar em alta, devido aos bons preços do mercado internacional, mas o Brasil está atingindo o seu limite. "Estamos próximos do limite da fabricação de açúcar. Aumentar a produtividade, expandir a área agrícola para produzirmos mais não é uma urgência ligada apenas ao etanol, mas a toda a cadeia", afirma.

A Cosan, maior produtora nacional de açúcar e dona das marcas Da Barra e União, está trabalhando neste limite. "Tudo o que é produzido chega ao Porto de Santos e imediatamente segue para o embarque nos navios. Não há estoques nos armazéns", afirmou Júlio Fontana Neto, presidente da Rumo Logística, subsidiária da Cosan. "É um bom momento e tudo indica que vai continuar sendo".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cade quer Brasil Foods mais magra

Restrições mais duras do órgão podem ameaçar fusão entre Sadia e Perdigão ou obrigar a megaempresa a vender suas marcas menores

por Viviane Taguchi

O imbróglio que envolve a fusão da Sadia com a Perdigão e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve render fortes dores de cabeça à diretoria da BRF Brasil Foods, companhia criada em 2009, quando a Perdigão comprou a Sadia. Um entendimento harmonioso entre os dois parece estar longe de acontecer. Alegando que a fusão deixaria nas mãos da BRF Brasil Foods 70% do mercado e a monopolização do setor, o Cade emitiu, no início de maio, um parecer, o Procade, pedindo restrições mais duras para aprovar a união. Isso pode indicar que a BRF terá de se desfazer de marcas como Wilson, Rezende, Confiança e Batavo ou vender a Sadia para possibilitar a livre concorrência. É justamente aí que o porco torce o rabo. Para a BRF, vender a marca estaria fora de cogitação. Mas, em meio a todas as tratativas e incertezas sobre a consolidação do negócio, como é que ficam os fornecedores de suínos e aves da Sadia e da Perdigão?

Para José Carlos Hausknecht, sócio da MBAgro Consultoria, a cadeia produtiva não sofrerá consequências em razão da decisão do Cade. “É uma decisão que envolverá muito mais as transações econômicas das companhias, o mercado e o consumidor final. A produção no campo não deve ser afetada”, diz Hausknecht. “A única possibilidade de os produtores rurais serem prejudicados seria se essas fábricas menores fossem compradas por agentes não confiáveis do mercado, e essa é uma possibilidade bem remota”, rebate.

Para a BRF Brasil Foods, essa certeza não é tão clara. Abrir mão da Sadia poderia acarretar em queda nas vendas e prejudicar a capacidade de exportações da empresa, o que refletiria na produção agrícola. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Sadia e Perdigão venderam ao exterior US$ 4,41 bilhões no ano passado, ficando atrás apenas da Vale e da Petrobras. A preocupação do Cade é com o preço final dos alimentos.

José Antônio Fay, presidente da BRF Brasil Foods, declarou o congelamento dos investimentos da companhia até a decisão final, que deverá acontecer no final de junho. Segundo ele, isso poderia beneficiar os produtores rurais, visto que a demanda seria maior para atender ao mercado externo. “Vamos criar uma grande exportadora nacional e será possível reduzir custos”, disse. Na opinião do executivo, os produtos da BRF Brasil Foods (as marcas Rezende e Wilson) concorrem diretamente com as outras marcas do mercado, como a Seara, do Marfrig. “A aprovação da fusão poderia sim incrementar a produção no campo, mas o contrário não ameaça o agronegócio”, completa Hausknecht.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cana e pecuária terão linhas de crédito específicas

Meta do governo no Plano Safra 2011/2012 é estimular a oferta de carne nos próximos dois anos e incentivar a abertura de novos canaviais, renovando as áreas

por Viviane Taguchi, de Ribeirão Preto (SP)

Pela primeira vez, o Plano Safra terá linhas de crédito específicas para a pecuária e para o setor sucroenergético. Na primeira, os pecuaristas poderão contratar até R$ 750 mil para investimentos em compra de reprodutores e matrizes (bovinos e bubalinos) e o limite de custeio também atinge o teto de R$ 650 mil, incluindo aí a pecuária de corte, leiteira, ovinocaprinocultura, suinocultura e apicultura. No ano passado, este limite era de R$ 250 mil. Wilson Araújo, coordenador geral de economia agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, explicou que a meta do governo é estimular a oferta de carne nos próximos dois anos para equilibrar o mercado.

Os pecuaristas terão mais acesso a crédito pelo Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro). "O limite de crédito por pecuarista dobrou, passou de R$ 300 mil para R$ 600 mil individualmente. O crédito coletivo também, saltou de R$ 900 mil para R$ 1,2 milhão", revela. Segundo Araújo, os pecuaristas também poderão ser beneficiados com o crédito do Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). "O aumento da renda bruta permitirá o enquadramento de médios produtores. A linha passa a considerar a renda bruta de R$ 700 mil para que o pecuarista possa acessar os R$ 8,3 bilhões disponíveis pelo Pronamp.

No setor sucroenergético, a meta é estimular a abertura de novos canaviais e renovar as áreas que já vinham sendo utilizadas. Esta linha disponibilizará R$ 1 milhão para produtores independentes, com o prazo de pagamento de cinco anos. "O objetivo maior é atendera demanda crescente por etanol, em função da expansão da indústria automobilística flex", afirmou José Carlos Vaz. A atividade também teve o limite de custeio ampliado para R$ 650 mil.

Linha de crédito para estimular a agricultura sustentável terá R$ 3,15 bi

A taxa de juros do ABC será de 5,5% ao ano, a menor taxa fixada para o crédito rural

por Viviane Taguchi, de Ribeirão Preto (SP)

Uma das principais novidades anunciadas no Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012 é a incorporação das linhas de crédito do Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora) e o Programa de Estímulo à Produção Agropecuária Sustentável (Produsa) ao Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que visa estimular uma "safra verde" (com a recuperação de áreas de pastagens degradadas, implantação e ampliação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, correção e adubação de solos, plantio e manutenção de florestas comerciais, adoção da agricultura orgânica, agricultura de precisão, recomposição de áreas de preservação permanentes ou de reserva legal), e terá R$ 3,15 bilhões disponíveis.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, José Carlos Vaz, a taxa de juros do ABC será de 5,5% ao ano, a menor taxa fixada para o crédito rural.

O Programa ABC foi incluído no Plano Safra no ano passado, mas poucos produtores rurais acessaram o crédito e quase todo o dinheiro,R$ 2 bilhões, ficaram nos bancos.

"Realmente, existia uma complexidade de exigências e regras para o Programa ABC. Com a incorporação dos outros dois programas e maiores esclarecimentos ao produtor, acreditamos que este crédito terá maior acesso nesta safra", afirmou Vaz.

Outro anúncio que muda as diretrizes do plano é a ampliação do limite de custeio da safra, que passa a ser fixado em R$ 650 mil para os produtores rurais que adotarem práticas sustentáveis como o plantio direto, agricultura orgânica e os produtores que já possuem ou que apresentem um plano de recuperação das áreas de preservação permanentes (APP) e de reservas legais. "Esse valor pode ser expandido ematé 45% dependendo da quantidade de técnicas utilizadas pelo produtor", ressalta.

sábado, 28 de maio de 2011




Aquecedor ligado. No máximo!

Tudo de novo...

O mês mal acabou e de novo tenho que arrumar as malas....saco! :(
Rsrsrs. Malditas queimadoras de sutiã! Eu vos odeio! rsrsrs
Ah, esqueci: chique é usar transporte coletivo. O duro é que isso só é chique no Primeiro Mundo, aqui no Brasil, não! Que feio!

Ai que falta de educação!

Dirigir pelas ruas de São Paulo, mesmo ou principalmente nos finais de semana, é um saco! Tirando o excesso de carros e os irresponsáveis motoqueiros, é nóis mano, a falta de educação das pessoas atrapalha muito: tem gente com o carro parado onde não deve em todo lugar, tem caminhão e ônibus querendo atravessar de uma faixa pra outra e passar em cima de qualquer outro carro menor que esteja perto (todos), tem gente correndo no meio da rua para não precisar ir até a faixa de pedestres, tem gente vendendo coisas pirateadas no farol, tem um monte de gente falando no celular e que não olha para os lados e tem gente xingando, claro, porque falta de educação também inclui isso! Que feio!

Wagner Rossi anuncia R$ 107 bilhões para o Plano Safra

Por Viviane Taguchi

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, anunciou nesta quinta-feira (26/5), durante Seminário BM&F Bovespa, realizado no Hotel Transamérica, em São Paulo (SP), que o governo aplicará R$ 107 milhões no Plano Safra 2011. O dinheiro, segundo o ministro, será aplicado principalmente nos setores sucroenergético e pecuário. “Uma das prioridades do governo é resgatar a competitividade de setores que permitam ao Brasil despontar como um grande protagonista do mercado global, como o setor sucroalcooleiro e a pecuária”, afirmou Rossi.

O anúncio oficial da aplicação da verba, segundo o político, será anunciado oficialmente em duas semanas pela presidente Dilma Roussef. O ministro explicou que no setor de produção de etanol e açúcar, as verbas serão destinadas para a renovação dos canaviais. “O setor vinha crescendo vertiginosamente entre os anos 2003 e 2007. A crise econômica de 2008 praticamente paralisou todos os investimentos e perdemos competitividade. Está aí o resultado”, disse Rossi, se referindo aos recentes problemas de mercado enfrentados pelo etanol (preço alto e demandas cada vez maiores em consequência da frota de carros flex).

“O Brasil desponta no mercado de energias limpas como o grande produtor. Não podemos esperar mais para ver se os investimentos retornam, é preciso agir e o governo vai acompanhar o desenvolvimento deste setor a partir de agora”, garantiu o ministro. Para ele, a transferência dos negócios de etanol e o controle da produção para Agência Nacional do Petróleo (ANP) garantirá ao produto brasileiro mais desenvolvimento. “Etanol é combustível e não pode ser tratado como outra categoria. A partir da ANP, teremos garantia de suprimentos para atender a demanda interna e estar prontos para as exportações”.


Investimentos
O ministro disse que a presidente Dilma Roussef quer incentivar os negócios energéticos brasileiros para estar preparada para a abertura do mercado norte-americano ao combustível. “Acreditamos que o presidente Obama anuncie, muito em breve, a queda das taxas sobre o etanol. Então, precisamos estar muito bem preparados, ou seria uma vergonha”.

Na pecuária, Wagner Rossi enfatizou que os investimentos serão destinados a pelo menos três setores: o de recuperação de solos de pastagens, pesquisas genéticas vegetais e incentivo à popularização da pecuária de elite. Dados do Mapa apontam para um desequilíbrio brutal entre o desenvolvimento da agricultura e da pecuária nos últimos 50 anos. Enquanto a primeira cresceu 800% no período, o crescimento da pecuária foi de 250%. “Mesmo com este gap , temos a melhor genética bovina do mundo”, afirmou Rossi. Mas o que ele quer é que todos os criadores de gado possam ter acesso a esta genética. “É importante que todos os pecuaristas tenham condições de ter este gado melhorado em seu pasto. Isso é agregar valor à cadeia”. A sustentabilidade na pecuária também foi citada pelo ministro, mas ele não deu maiores detalhes de como o governo irá incentivar o setor a buscar esta eficiência alimentar e ambiental.

Esse é o link:
http://glo.bo/kHUEop

Otimismo na agricultura deve continuar nos próximos cinco anos

O bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro no ano passado e nos primeiros meses deste ano deve se repetir nas próximas quatro safras agrícolas. A previsão é do consultor agropecuário André Pessoa, sócio da Agroconsult, que participa nesta quinta-feira (26/05) do Seminário BM&F Bovespa, realizado no Hotel Transamérica, em São Paulo (SP).

Produtividade e rentabilidade elevadas, custos controlados e relações de troca favoráveis são fatores incomuns para um único ano agrícola, mas segundo o especialista, o produtor brasileiro pode começar a se acostumar com este equilíbrio positivo a partir de agora. Isso tudo, porém, só vai ser viável se o setor nacional se empenhar em expandir a área plantada com investimentos em tecnologia e sustentabilidade e apoio institucional.

“Os próximos anos podem ser muito parecidos com 2010. O que é incomum pode tornar-se comum para o setor. É uma expectativa bastante viável”, afirma. Pessoa explica que o bom momento é fruto de uma mudança profunda no perfil do consumidor mundial e principalmente, na elevação de seu poder de compra. “Os consumidores de países emergentes elevaram seu poder de compra. Hoje, eles já consideram inserir fontes de proteínas à sua dieta”, diz ele. “Isso era inviável para muitas economias, como a China, por exemplo, poucos anos atrás”.

Estes fatores – aumento da demanda por proteínas e maior poder de compra – pressionaram os preços das commodities no mercado internacional, aliados a variações cambiais. Ele diz que existe agora, ao contrário do cenário de dez anos passados, um choque de demanda no mercado mundial, que reduz os níveis de estoques e eleva os preços das commodities. “Isso tem relação direta com a urbanização, o crescimento da população, e a mudança de comportamentos socioeconômicos. A demanda por alimentos vai crescer e vai ser preciso suprir. Quem ainda tem áreas para crescer? A América do Sul e a África, apenas”, afirma.


Expansão
Na lista de países que podem oferecer novas áreas de plantio, o Brasil ganha destaque. No país, seria possível expandir em 22 milhões de hectares a área plantada, respeitando as áreas de preservação e florestas.

Este aumento, na opinião do consultor André Nassar, da Consultoria Icone, é a melhor oportunidade que o país tem para avançar, mas é preciso ainda vencer alguns desafios tais como estruturar uma política institucional que subsidie o produtor rural, profissionalizar as empresas de grãos sob a ótica das práticas sustentáveis, expandir a comercialização antecipada e a prática de hedge (quando o vendedor ‘trava’ o preço no mercado futuro garantindo um lucro mínimo), aumentar o armazenamento de grãos nas fazendas, intensificar a mecanização da lavoura e resolver, de uma vez por todas, a questão do Código Florestal.

“Crescer apenas 1% ao ano não será suficiente para equilibrar a demanda e oferta, é preciso aumentar este índice. Se levarmos em consideração as condições que temos aqui no Brasil com outros países, como a China, ou os Estados Unidos, nossa agricultura é vergonhosa. Mas lá, eles possuem uma política institucional e nós não. Lá, eles não têm mais onde plantar e aqui, nós temos área sobrando e bom clima”, afirma Nassar. “É chato ficar colocando ponto negativo quando está todo mundo otimista, mas temos que nos preocupar com este debate para garantir o futuro, porque o Itamarati não está muito preocupado não”, disse.


Esse é o link:
http://glo.bo/kO5Pf1
Esse é o link :)

http://glo.bo/lW19lX

Agora que eu sou jornalista multimídia....hahaha

Interior de São Paulo exporta mini cavalos

Em um haras de Socorro, região do Circuito das Águas, já nasceram cavalos de 45 centímetros






Viviane Taguchi



A apenas 130 quilômetros do centro de São Paulo, onde a paisagem das montanhas e o barulhinho das cachoeiras dão um toque todo especial às cidades do Circuito das Águas, existe uma fazenda bem diferente. Uma fazendinha, diga-se de passagem. Apesar de seu proprietário ter quase 2 metros de altura e não ter nada de 'inho', o Haras São Francisco, em Socorro, transformou-se no berço dos mini-cavalos brasileiros. De lá, saíram quase todos os exemplares de equinos em miniatura que povoam o plantel nacional e agora, com cavalos cada vez menores, o haras também começa exportar animais.

Ariodante Beneduzzi, popularmente conhecido na cidade como Dantinho, é o homem dos pequenos cavalos. Sempre foi apaixonado por animais e chegou a ter grandes criações de cavalos Mangalarga e de gado Nelore na região. Largou tudo quando percebeu o crescimento do segmento dos mini-animais, nos anos 1990. "No início, era tudo um hobby, mas depois virou um negócio rentável. Hoje, estamos começando a colher os frutos de investimentos que fizemos 15 anos atrás, quando importamos alguns exemplares de american miniatuare horse em parceria com outros criadores brasileiro", conta o empresário.

Estes bons frutos significam animais cada vez menores, como o cavalinho branco de 45 centímetros, o "Pequeno Príncipe" que nasceu no haras de Beneduzzi, no ano passado. O animal foi vendido por quase R$ 60 mil e hoje vive em Goiás. O menor cavalo do mundo que se tem notícia nasceu na Inglaterra, no ano passado. Einstein, como foi batizado, mede 35 centímetros e pesa 4 quilos. Ele também é da raça american miniature horse.



O mini-cavalo Pequeno Príncipe tem 45 centímetros e foi vendido por R$ 60 mil para um criador goianoNo haras de Dantinho, tudo é adaptado para os pequenos: as baias são menores, com portinholas bem baixas para que os animais, quando guardados, possam "curtir" o movimento da propriedade colocando a cabeçinha para fora. Os cochos também ficam quase no chão. "Eles comem muito pouco e são mais econômicos, pois não exigem mão-de-obra redobrada não", afirma o criador. Na propriedade, que fica no centro da cidade, existem quase 100 animais, quase todos medindo entre 0,60 e 0,90 metro. Três funcionários se dividem para cuidar da turma, que deita e rola no gramado do haras quando estão soltos.

Desde que iniciou o negócio, o criador já vendeu cavalos em miniatura para todo os estados brasileiros. De 2009 para cá, começou a exportar animais para o Senegal, Argentina e Uruguai, estes dois, os principais países produtores de mini-cavalos. Por ano, a média de venda é de 300 animais, cujos preços variam conforme o tamanho. "Quanto menor o cavalo, maior o preço", resume.

Ele afirma que o preço de um mini pode variar de R$ 5 mil até R$ 100 mil, embora nos Estados Unidos já tenham sido registradas as vendas de pequenos cavalos por R$ 150 mil."Recebemos muitas pessoas interessadas em comprar um mini-horse para cria-los em sítios, chácaras, escolas, parques e hotéis, mas ultimamente, os clientes querem os bichos para serem pets, fazer companhia para crianças ou iniciar um criatório".


Origem
No Brasil, os mini cavalos são descendentes de pôneis pré-históricos Shetland, da Inglaterra, e dos argentinos Fallabelas. Há quase 15 anos, os animais começaram a ser cruzados com o american miniature horse, citado anteriormente pelo empresário. "Quem olha, pensa que
são animais frágeis, mas estes cavalos são extremamente rústicos como seus antepassados", diz o criador. Os mini-horses têm dupla aptidão para sela e tração. Na tração, eles são utilizados para puxar mini-carroças com crianças. "São animais muito rústicos, que tiveram que enfrentar geleiras em terrenos montanhosos e aprenderam a se embrenhar na mata para fugir de seus predradores. Eles conservaram muito destas características".

O Haras São Francisco é aberto a visitações. No local, o empresário também mantém uma loja de mini-acessórios, onde é possível comprar uma mini-sela, mini-esporas e mini-chapéus.

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Faxina!

Que idéia brilhante: peguei um WAP para limpar o banheiro de menos de 2 metros do apartamento. Quem saiu chamuscada de água de alta pressão fui eu. E a tinta do teto saiu também. Que sacoooooooooooooooooooooooo!E pior: a água escorreu por todo o resto da casa. Porquê tem engenheiro que constrói a caída de água do lado contrário? Pq aqui em casa, os ralos ficam no alto...ou será que o mundo é que tá de ponta cabeça?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Usina do grupo Santa Adélia e Pioneiros Bioenergia unem operações

Holding formada pelas empresas terá capacidade de moagem de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra

por Viviane Taguchi

Duas das maiores usinas de cana-de-açúcar localizadas no extremo oeste do estado de São Paulo, a Usina Interlagos, do Grupo Santa Adélia, em Pereira Barreto, e a Pioneiros Bioenergia, em Sud Mennucci, estão perto de iniciar uma operação conjunta de suas atividades. A fusão, que visa sanar as dívidas acumuladas das duas unidades (a dívida da Pioneiros Bioenergia gira em torno de R$ 137 milhões e a da Santa Adélia, em torno de R$ 300 milhões) deve ocorrer nas próximas semanas e os detalhes estão sendo acertados em sigilo pelas duas diretorias.

Celso Torquato Junqueira Franco, diretor presidente da Pioneiros Bioenergia e atual presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), confirmou a negociação,que envolverá a troca de ações entre as duas unidades. Os acionistas da Pioneiros ficarão com 20% das ações no Grupo Santa Adélia, que tem sede em Jaboticabal (SP), e o controle da holding deve ficar nas mãos da família Bellodi (Santa Adélia).

Após a incorporação, a capacidade da "nova empresa" será de seis milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Hoje, a usina de Pereira Barreto processa quatro milhões de toneladas (120 mil toneladas de açúcar e 350 milhões de litros de etanol) e a Pioneiros Bioenergia, 1,5 milhões de toneladas de cana. A unidade lançou, na safra 2006/2007, a primeira usina termelétrica do estado de São Paulo com capacidade para gerar 145 mil MWh/ano. Segundo a Unica, é considerada a usina com maior eficiência por tonelada de cana moída do país. Com a Santa Adélia, passará a ter condições de vender à rede 520 mil mewgawatts/hora por ano.

Segundo Junqueira Franco, a incorporação das atividades das duas uniades permitirá investimentos maiores para alcançar a capacidade de 10 milhões de toneladas de cana nos próximos três anos. As duas usinas são cooperadas da Coopersucar.

Flex à antiga

A Pioneiros Bioenergia foi uma das primeiras destilarias que surgiram no estado de São Paulo para atender o Programa Nacional do Álcool, ProAlcool. Em 1981, chegou a produzir 21 milhões de litros de etanol. Seu proprietário, Cícero Junqueira Franco, foi um dos coautores da elaboração do plano junto com Lamartine Navarro. Na época, Cícero já era acionista majoritário da Usina Vale do Rosário, localizada em Morro Agudo, na região de Ribeirão Preto (SP) (posteriormente incorporada à Santa Elisa e depois, à LDC-Sev), e transformou a fazenda de gado que tinha em Sud Mennucci para instalar a sede da usina.

Cícero foi um dos primeiros empresários brasileiros a apostar na tecnologia flex, mesmo à sua moda e tempo. Empenhado em divulgar o combustível verde, ele mandou um mecânico converter o motor do seu carro, um Fiat 147, para usar o álcool. O empresário conta que, certa vez, decidiu viajar com o carro e o tanque esvaziou. "Os postos de combustíveis tinham bombas de álcool, mas o produto ainda não estava sendo vendido, eram só bombas. Fiquei sem combustível e fui abastacer sabe onde? Na farmácia", lembra o pioneiro. "Eu comprei um monte de garrafinhas de álcool lá na drogaria, em Pereira Barreto. O carro falhou várias vezes até chegar em Sud Mennucci, mas cheguei".

A Usina Interlagos é de propriedade da família Bellodi, que atua no setor sucroalcooleiro na região de Jaboticabal desde a década de 1930. Os negócios começaram com a produção de rapadura, cachaça e açúcar e, a partir dos anos 1975, iniciou a produção de álcool, também incentivada pelo ProAlcool. A unidade em Pereira Barreto entrou em atividade em 2006 e está distante cerca de 40 quilômetros da Pioneiros.


Link:
http://glo.bo/jHMjqJ

sábado, 14 de maio de 2011

Da Mata anuncia mais uma usina de cana em São Paulo

Grendene e Barcelos vão instalar unidade industrial com capacidade para 3 milhões de toneladas de cana

por Viviane Taguchi com informações da Udop

Os empresários e pecuaristas Alexandre Grendene e Jonas Barcelos, sócios da Usina da Mata, unidade processadora de cana-de-açúcar instalada em Valparaíso (SP), na região noroeste do estado, vão continuar investindo no setor sucroenergético na região. Nesta sexta-feira (13/5), diretores da usina anunciaram a instalação de uma nova unidade industrial em Santo Antônio do Aracanguá, cidade distante cerca de 80 quilômetros de Valparaíso. Tanto Grendene quanto Barcelos possuem fazendas de gado na região e, em 2008, passaram a investir na produção de etanol e bioeletricidade.

A nova fábrica ainda não tem data prevista para entrar em atividade, mas de acordo com Luiz Carlos dos Reis Nonato, prefeito de Aracanguá, as negociações para a instalação do parque agroindustrial estão avançando rápido. Nesta semana, a empresa apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental a prefeitura.

O prefeito de Santo Antônio do Aracanguá afirmou que, assim como ocorreu em Valparaíso, os empresários se comprometeram a financiar a manutenção das estradas da região quando as primeiras toneladas de cana começarem a ser colhidas e também, a desenvolver projetos de preservação da fauna e flora com monitoramento por câmeras noturnas, e controle de qualidade dos rios e lençóis freáticos da região.

Jorge Hatem, diretor superintendente da Usina da Mata, afirmou que a unidade - que receberá o nome de Usina Santa Marina - terá capacidade inicial para processar 1,2 milhão de tonelada de cana (capacidade atual da usina de Valparaíso) e sua capacidade máxima será de 3 milhões de toneladas. Segundo ele,a usina Santa Marina já iniciará as atividade produzindo açúcar e etanol e, posteriormente, energia elétrica a partir do bagaço da cana.

De acordo com Hatem, os investimentos do grupo também serão direcionados à matriz. Ainda nesta safra, a capacidade será ampliada para 4 milhões de toneladas e a unidade deverá receber uma fábrica de açúcar anexa à destilaria, mas não revelou números de investimentos. Atualmente a unidade produz apenas etanol.

Cobiça

Em dezembro do ano passado, a Usina da Mata foi o objeto de cobiça de grandes grupos. O Shree Renuka, grupo indiano que atua fortemente no setor na Índia, chegou a anunciar a compra da unidade, mas o negócio não foi fechado. Os indianos compraram 51,3% do Grupo Equipav (as usinas Equipav de Promissão e Biopav, em Brejo Alegre, ambas na região noroeste do estado de São Paulo) e a Vale do Ivaí Açúcar e Álcool, no norte do Paraná. Antes disso, a multinacional americana ADM já havia sondado Grendene e Barcelos.

Nas duas ocasiões, Grendene confirmou as sondagens e reforçou que não tinha interesse de vender a usina.

Link:
http://glo.bo/kupr9C

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Começa a Safra de Cana na Região Centro-Sul

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI226395-18077,00-SAFRA+DE+CANA+COMECA+NA+REGIAO+CENTROSUL.html


Mudanças acontecem!

Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer Valer o dito popular
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais

E no dia 07 de Abril fui contratada pela Globo Rural!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

...

Fofa 2



CAdelinha Pam foi localizada andando sobre um telhado que boiava no mar do Japão, em Sendai.A sua dona a viu pela TV e foi busca-la. Fofa, fofa! Tão fofa quanto a Consuelo! hahaha

Vida


Um post sobre o Joãozito Andrade merece concentração....

O mestre da caatinga




No sertão da Bahia, o pecuarista Joãozito Andrade formou o plantel nelore mais puro do Brasil, salvou os caprinos canindé da extinção e inventou o gado violeira e os ovinos trindade. Aos 90 anos de idade, ele ainda quer fazer mais pela pecuária nacional

Viviane Taguchi, de Jeremoabo (BA)

Eram 5 horas da manhã e o pecuarista João Batista Andrade, um sertanejo de 90 anos de idade, já estava de pé. Parado na porta da sede da Fazenda Várzea dos Gatos, em Jeremoabo, cidade distante 452 quilômetros de Salvador, a capital da Bahia, Joãozito Andrade, como é mais conhecido no agronegócio mundo afora, chamava por Maria, a funcionária que o acompanha o dia todo, há 18 anos. Pediu seu chapéu, pois não queria aparecer em nenhuma fotografia de DINHEIRO RURAL sem o acessório. Ajeitou os óculos de sol, alisou a camisa, escolheu uma bengala de madeira escura para ajudar-lhe nos passos, hoje dificultados pela idade avançada, e perguntou se estava bonito. Convidou a equipe de reportagem para o café da manhã e logo após degustar salada de tomate, inhame e um café preto, bem forte como ele gosta, apressou-se em ir até o local escolhido como cenário para a sessão de fotografia desta reportagem. Nas pedreiras, paisagem típica das fazendas do semi-árido nordestino, Joãozito posou com a naturalidade de quem está acostumado aos flashes e com a simplicidade do homem do interior que é. Suas origens têm tudo a ver com o negócio que construiu na pecuária. Foi lá, em meio à natureza rude da caatinga, que ele formou o plantel de gado nelore Puro de Origem Importado (POI) mais puro do mundo, que reúne semelhanças idênticas ao primitivo gado ongole da Índia. E isso se deu de forma natural, segundo ele: gado criado no pasto, monta natural (quando a reprodução não é assistida) e sem suplementação mineral. “Eu não fiz nada, só respeitei a necessidade dos animais na natureza, que lhes ofereceu o necessário para sobreviverem nas duras condições da caatinga”, diz Joãozito, que deu início ao seu trabalho de nelorista em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. “Acompanhava as notícias pelo rádio”, diz. Filho do fazendeiro Manuel Vieira de Andrade, o Seu Né, Joãozito era um dos pouco jovens daquela região a possuir um aparelho.
Mas sua trajetória como pecuarista vai além do gado. Joãozito evitou a extinção a raça caprina canindé. “Encontrei uma cabra na porta do matadouro e a comprei, depois saí em busca de um macho para cruzá-la. Um dia, eu achei”, lembra. Hoje, ele é dono do maior rebanho canindé que se tem notícia, e em suas terras, os laboratórios naturais, criou a raça de ovinos trindade (carneiros brancos e castanhos, deslanados, que mesclam as raças texel e morada nova) e o gado leiteiro violeira, um cruzamento de holandês vermelho, nelore e raças nativas do sertão. “Se a saúde permitir, ainda tenho uns planos”, diz ele. Não são poucos: entre eles estão a aquisição do gado flamengo para melhorar a raça violeira, que dá uma média de 10 litros de leite por dia, escrever um segundo livro de memórias (em dezembro passado, ele lançou sua auto-biografia em parceria com a historiadora Erenilda Custódio Amaral) e tomar aulas de informática. “Já mandei até projetar os móveis para colocar o computador”, diz.

A vocação de Joãozito para a pecuária é nata. Com um ano de idade, ganhou de presente uma vaca curraleira, proveniente do plantel de Garcia D’Ávila, o conde que povoou o nordeste brasileiro com gado. Aos 22, fez o seu primeiro negócio: trocou a curraleira por seis vacas velhas e um garrote que o pai comprara de criadores de nelore do Recôncavo. Com o dinheiro que sobrou, adquiriu dois hectares de terras – origem da atual Fazenda Trindade -, e fez a cruza de seus poucos nelores. Em Minas Gerais, conheceu o lendário pecuarista Torres Homem Rodrigues da Cunha, que lhe cedeu algumas novilhas e, assim, foi aumentando o rebanho. “Foi uma dureza danada”, conta o pecuarista, que ao relembrar fatos antigos, verte lágrimas de emoção. Hoje, seu patrimônio inclui três propriedades: a Fazenda Trindade, de 410 hectares em Cícero Dantas, o Trindade Rancho, de 94 hectares em Feira de Santana, e a Várzea dos Gatos, de 3500 hectares, em Jeremoabo, local que ele chama de Terra Sonhada. Nessas propriedades espalha-se o seu rebanho: o plantel nelore POI soma 1,2 mil cabeças, o rebanho Canindé, 600 animais, além de 130 ovinos trindade e 270 exemplares de violeira. “Não me considero dono de nada, sou um administrador”, afirma. O fazendeiro, que quando jovem chegou a fugir de Lampião e seu bando de cangaceiros, temendo que estes lhes roubassem suas vacas, credita a pureza do seu rebanho ao manejo simples que adotou. “Observei o comportamento do gado, que tem hora para acordar, dormir, comer, ruminar”, diz. “Eu os respeitei e eles preservaram suas qualidades nativas.”
Seu rebanho nelore segue as linhagens de Akasamu e Padhu, touros importados da Índia em 1967 e que fecharam seu plantel de cruzas consangüíneas perfeitas. “Fiz um trabalho de consanguinidade, tendo como base animais selvagens, que se mantêm em estado de pureza desde a criação do universo, sem sinais de degenerescência”, diz Joãozito. Esse trabalho de observação, segundo ele, o levou a acompanhar de perto os partos de todas as suas vacas, por pelo menos 20 anos. “Sem exageros, eu vi todos, porque precisava saber se haveria anomalias, anotar as qualidades do bezerro e ajudar caso fosse preciso”, explica. Para facilitar, ele mandou construir o curral bem próximo à janela de seu quarto. “O critério é simples: os animais que sobrevivem à seca da caatinga, sem suplementação alimentar, foram adaptados. Os que não sobreviveram, foram eliminados do plantel”. A pureza deste rebanho é tão rara que, em 1994, o presidente da Associação Ongole da Índia, Narendra Mallapuddi, pediu para conhecer o Nelore Trindade, em busca de exemplares puros que pudessem recompor o plantel indiano. “Eu não acreditei quando recebi a carta dele”, emociona-se Joãozito, que também já visitou a Índia para conhecer de perto os ongoles.

Este manejo simples deu ao Nelore Trindade e aos canindés uma qualidade difícil de se obter, a docilidade. Na Várzea dos Gatos, os rebanhos atendem pelo nome. Joãozito chama e o boi vem, faceiro entre os intermináveis pés de mandacaru e xique-xiques que se espalham pelo pasto, até chegar a ele, pedindo carinho, ou pode ser uma cabritinha, que chega serelepe aos seus pés em busca de cafuné. “Ué, são meus animais de estimação”, responde. O advogado Pedro Novis, ex-presidente do grupo Odebrecht e proprietário da Fazenda Guadalupe, em Araçatuba (SP), conta que certa vez perguntou a Joãozito como seria um nelore modelo. “Ele me olhou com aquela candura cheia de malícia de que só ele é capaz e disse que havia uma vaca, comprada por seu pai que, de tão mansa, dormia na varanda da casa dele”, diz Novis. “O animal ideal, para ele, era aquela vaca.”. Folclore à parte, Novis acha que a contribuição de Joãozito para a pecuária vai muito além. “O trabalho que ele desenvolveu ultrapassou esse modelo, e isto só não é reconhecido porque sua humildade e modéstia não deixam”, afirma. Novis é um dos principais neloristas do País e um dos proprietários da vaca Maharash II, de R$ 3,4 milhões. “Me encantei pelos Nelores Trindade quando os vi pela primeira vez, em 1994”, diz. “São animais excepcionais, sob qualquer análise.” Ao iniciar o seu rebanho, Novis escolheu justamente o Nelore Trindade. “A linhagem genética da Trindade não se popularizou fora do Nordeste”, diz. “Por isso mesmo, esses animais são fundamentais para a renovação de sangue dos rebanhos do Sul.”

Com as cabras canindé, a história se repetiu. Após comprar uma cabritinha, que nomeou de Boa Sorte, e poupa-la do abate, Joãozito pesquisou sobre a raça e tentou encontrar um macho. Andou muito. Percorreu todo o sertão, foi aos lugares onde sabia que existiam muitos caprinocultores, além de viajar para a França, Espanha, Portugal. Em vão. Até que recebeu a informação de que no município baiano de Uaua havia um animal parecido. “E era mesmo. Comprei, cruzei os dois animais e nasceu o Chefão, bode que salvou o canindé da extinção”, conta Joãozito. Nessa hora, ele levanta os olhos para o céu, como se agradecesse a Deus por ter lhe dado a chance da salvação destes animais e novamente derruba uma lágrima de felicidade. “Me orgulho de saber que todo animal canindé que tem por aí, saiu daqui”, diz. “Tem até na Malásia.”. A intuição de Joãozito ao resgatar a cabra Boa Sorte tomou outros rumos, desta vez no ramo científico. Suas cabras foram inseridas em pesquisas da Universidade Estadual do Ceará (UECE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Academia de Ciências da Rússia. “Eles estavam procurando uma cabra que conseguisse produzir no leite uma proteína necessária para fazer medicamentos para pessoas que tem o vírus HIV e estão com o organismo debilitado. Encontraram essa capacidade nas canindés”, diz Erenilda Amaral, co-autora do livro A trajetória de vida e devoção de um sertanejo. “A pesquisa agregou valor ao produto nativo e colocou o Brasil em um seleto grupo de países que dominam esta técnica em caprinos.”. Para essa pesquisa, Joãozito doou 200 animais. A dedicação à essa raça de corte, que se reproduz com facilidade na caatinga, tem sido recompensadora: e um canindé reprodutor pode custar R$ 2 mil.

Falar de dinheiro e lucros com Joãozito é impossível. “Ele faz doações constantes de canindé para pesquisas, já doou até bezerros nelores para os amigos”, diz Otacílio Conceição Junior, um jovem de 23 anos, que cresceu sob os cuidados de Joãozito. Hoje, Otacílio é o braço direito do pecuarista (a quem ele chama de Tio Zito) nos negócios e está, aos poucos, assumindo a administração das fazendas. Mas Joãozito acompanha cada detalhe e não para de pensar um minuto, o que lhe rende até insônia. “Otacílio é meio afobado como todo jovem, mas assim como seu pai, Dodô, aprende tudo e tem amor ao trabalho”, diz Joãozito. Dodô é o vaqueiro fiel que ajudou Joãozito a formar a Várzea dos Gatos, há 40 anos. Por tanta dedicação, o pecuarista lhe deu de presente uma fazenda vizinha e alguns animais para que tocasse o próprio negócio. “Dodô chegou aqui com 19 anos e aprendeu tudo. Foi meu fiel companheiro de lutas”, conta o sertanejo, que não teve filhos legítimos e nunca se casou. Joãozito disse a DINHEIRO RURAL que ainda está pensando a quem entregará a continuidade de seu legado, mas desconversa. “Minha missão, eu sei que cumpri em prol da pecuária nacional, isso é o que me importa.”

Joãozito também não gosta de vender animais, nem os nelores e nem os canindés (as violeiras e os trindades ele não comercializa porque ainda está aprimorando a raça). Franze a testa e demonstra até mau humor quando o assunto é esse. “Eu vendo só porque tenho que pagar as contas”, afirma o pecuarista. Ao contrário da maioria dos neloristas, ele não vê a criação como fonte de enriquecimento, apesar do considerável patrimônio que a pecuária lhe deu. “Eu sou o pecuarista menos premiado do mundo, porque eu não coloco meu gado em exposição”, diz. “Se eu fizesse isso, teria que dar suplementação pro animal.”. Ele também não gosta de participar de leilões.” Quem quiser comprar um Nelore Trindade ou um canindé precisa ir até a fazenda. O empresário Jonas Barcellos, fundador da Brasif, a empresa que controla os free shops nos aeroportos brasileiros, é testemunha disso. Quando Barcellos, dono da Fazenda Mata Velha, de Uberaba (MG) decidiu tornar-se criador de nelore, procurou Joãozito no sertão, sabendo da qualidade de seu rebanho. “Tivemos uma conversa dificílima, pois ele não queria vender as vacas de cabeceira e eram exatamente estas que eu queria. Então, eu disse a ele que eu iria separar dez vacas e ele podia tirar cinco. As restantes eu levaria para a Mata Velha”, diz o empresário.

Hoje, Joãozito e Barcellos são grandes amigos. O mineiro foi um dos que ganhou de presente alguns animais, inclusive canindés. “Até hoje tenho algumas cabras que ganhei de presente”, diz Barcellos. Ter um exemplar de Joãozito no pasto, seja o boi ou o cabrito, é como um troféu para qualquer pecuarista que se preze. Felipe Picciani, presidente da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ABCN), diz não encontrar adjetivos para definir o nelore criado nas fazendas de Joãozito. “É como se estivéssemos importando o gado diretamente da Índia”, afirma Picciani. “Seu preço de mercado também seguiria estes padrões. Embora sejam animais de campo, são avaliados como animais de elite.” O preço dos nelores de Joãozito não segue o mercado de leilões, que projetam vacas milionárias para o mercado, mas um Nelore Trindade pode chegar a custar entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. Ou de graça, caso Joãozito acredite que o interessado seja merecedor.


DINHEIRO RURAL 78

O plano que sumiu

Usineiros nordestinos encerram a safra de cana-de-açúcar com 62 milhões de toneladas de cana, mas esse número poderia ter sido maior se o projeto Canal do Sertão não tivesse sido engavetado pelo governo

Viviane Taguchi

Uma safra de 62 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e apenas investimentos privados. Essa ainda é a realidade do fim da safra 2010/11 de cana no Nordeste brasileiro.Uma frustração para usineiros, produtores rurais e indústria se levarem em consideração que a situação poderia ser muito melhor, com um substancial aumento da produção. Não foi a seca e nem foi o mercado de biocombustíveis que emperrou este avanço, mas o próprio governo, que parece ter abandonado um dos maiores projetos do setor sucroenergético nordestino, o Canal do Sertão.

Lançado em junho de 2007 com pompa de “o mais promissor projeto internacional do setor sucroenergético nordestino”, o Canal do Sertão, orçado em R$ 1,2 bilhão, já poderia ter nesta safra sua primeira colheita, mas ninguém tem notícias dele. Nada saiu do papel e os produtores rurais continuam fazendo malabarismos para plantar cana somente em áreas mais próximas ao litoral e investir em verticalização e construir novas usinas com dinheiro próprio.

O Canal do Sertão era um projeto ousado, que daria a possibilidade de se plantar mais 150 mil hectares de canaviais (115 mil hectares em solo pernambucano e 35 mil hectares em terras baianas) e produzir 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar o ano inteiro com sistemas de irrigação. A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Petrobras investiriam R$ 20 milhões cada uma para financiar estudos de solo, obras e os sistemas de captação de água, e a Itochu Corporation, trading japonesa, aplicaria mais R$ 20 milhões, e daria a garantia de comprar todo o etanol produzido ali, levando-o diretamente para o Japão. Por seu turno, o governo federal, através do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) iria injetar nesse projeto outros R$ 20 milhões e o dinheiro restante viria da iniciativa privada, leia-se grupos de usinas tradicionais da região. A Itochu Corporation e a Petrobrás chegaram a assinar um memorando para o início do projeto, em junho de 2007, em Tóquio, ocasião que foi considerada “um marco no desenvolvimento do Nordeste”, conforme palavras do governador pernambucano Eduardo Campos. Mas até agora, o que se vê por lá ainda é uma seca tremenda, terra rachada e nenhum pé de cana plantado. E pior, nem a Codevasf, a Petrobras, a Itochu Corporation ou o Governo Federal sabem dizer o que aconteceu. “Tínhamos uma proposta consistente, que poderia expandir de forma inteligente a cadeia produtiva da cana-de-açúcar no Nordeste”, afirma Renato Cunha, presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco (SindaçúcarPE). “O Canal do Sertão surgiu de forma muito empolgante, mas perdeu fôlego e não decolou até agora.” Cunha acredita que divergências políticas possam ter afastado a Petrobras do projeto. “Eles perderam o interesse, não se sensibilizaram com a causa”, diz.

Até aqui, a Petrobrás vem demonstrando ter boas relações políticas com o governo de Pernambuco. Sérgio Gabrielli, presidente da estatal, durante evento que reuniu no Palácio Campo das Princesas o governador Campos e o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE), Jorge Côrte Real, declarou publicamente que apóia o grande volume de investimentos realizados no Estado. O desacordo político, então, poderia ser com o governo da Bahia, que teria reivindicado uma área irrigada maior de sua porção do Canal do Sertão. Segundo o Ministério da Integração Nacional, existem dois projetos de ampliação da área para o Estado, o esboço do Salitre e do Baixo Irecê, que se arrastavam há muito tempo, e entraram agora no PAC2. Para Cunha, do SindaçúcarPE os trabalhos do novo ministro da integração, Fernando Bezerra Coelho, que é nordestino ( mais precisamente, pernambucano de Petrolina), podem reavivar a esperança do Canal do Sertão ser viabilizado para o setor sucroenergético. “É possível que tenhamos uma retomada dessa iniciativa com o novo governo”, diz Cunha. “É o que o setor espera”.

Esta retomada, segundo o ministro Bezerra Coelho, pode surgir por intermédio da recém-lançada Secretaria Nacional de Irrigação. Através de sua assessoria de imprensa, o ministro informou que, por ora, as obras do Canal do Sertão para a cana-de-açúcar estão paralisadas, mas que a nova secretaria poderá dar novo impulso ao projeto. O Ministério, porém, não soube informar com precisão como seria esta nova fase do projeto. Na Petrobras, o Canal do Sertão também é assunto desconhecido. A assessoria de imprensa da estatal comunicou que o memorando foi assinado em 2007, um ano antes da criação da Petrobras Biocombustíveis, e por isso não poderia apontar os motivos que levaram a empresa a se afastar do projeto e a Itochu Corporation, também através de nota, lamentou a morosidade das obras.

Enquanto isso, os usineiros nordestinos, concentrados em Pernambuco, Alagoas e Paraíba, e responsáveis por 11% da receita nacional de açúcar e etanol, estão fazendo investimentos privados. Na Paraíba, o Sindicato das Indústrias de Fabricação de Etanol, a Cetrel e a Japungu Agroindustrial inauguraram a primeira planta de bioenergia a partir da vinhaça da cana para a produção de biogás e geração de energia elétrica a partir da vinhaça. No segundo semestre, a Japungu deve inaugurar também uma unidade em Pernambuco. “Produzir etanol de segunda geração é uma de nossas metas”, diz Edmundo Barbosa, presidente do sindicato. De acordo com Barbosa, a Paraíba participa ativamente da corrida tecnológica para aumentar a produtividade e a produção de etanol. “Não podemos deixar de competir”, afirma.

Em Pernambuco, Cunha preocupa-se mais com o crescimento vertical do que com a construção de novas unidades de produção. Segundo ele, as usinas pernambucanas estão localizadas, em média, a 60 quilômetros dos portos e estão investindo no aprimoramento de sua logística. “Além disso, também buscamos investimentos em genética, para melhorarmos a produtividade da cana no Nordeste em 20%.”, afirma. “Enfim, buscaremos mais competitividade enquanto o Canal do Sertão não vem.”

Já em Alagoas, a preocupação é com a irrigação. Só nesta safra, segundo dados da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Etanol, foram investidos R$ 30 milhões em sistemas de irrigação. “Já havíamos realizado grandes investimentos em irrigação três anos atrás, mas agora as empresas estão se organizando para amplia-los”, diz Pedro Robério, presidente do SindaçúcarAL.

DNHEIRO RURAL 78

Aeroporto de Pato Branco


Pista curtinha e tempestade. Voamos para Pato Branco no jato da empresa, com uma comitiva de franceses. Obvio que dormi e quando abri os olhos, sentindo que ja estávamos chegando a assessora de imprensa dos franceses estava branca. Tentamos pousar três vezes e nada....hahahaha. Dormi de novo. Pelo menos, morrer dormindo deve ser menos apavorante.

Milho à francesa





A Cooperativa Limagrain, da França, adquire 70% da divisão de milho da paranaense Sementes Guerra e finca um pé no agronegócio brasileiro. A parcerias pode evoluir para as áreas de soja, trigo e feijão

Viviane Taguchi, de Pato Branco (PR)

Maïs brésilien avec chevronnés français, isto é, milho brasileiro com tempero francês. De agora em diante, produtores brasileiros e paraguaios de milho irão se deparar com muitas expressões francesas como essa quando forem levar as sementes para o campo. E os produtores rurais europeus poderão ver estampadas nas sacas compradas uma bandeirinha do Brasil. É que uma parceria inédita, selada entre empresários franceses e brasileiros, pode ser o início de uma mudança nos rumos do mercado de sementes de grãos, hoje dominado por grupos multinacionais que compraram e controlaram 100% das fábricas nacionais (algumas delas, mesmo ainda atuando fortemente no setor como a Agroceres e a Agroeste, ambas incorporadas pela Monsanto, tiveram suas marcas esquecidas para dar destaque ao nome do novo controlador). De um lado, aparece a cooperativa francesa Limagrain, quarta maior empresa mundial de sementes arvenses (cereais e oleaginosas) e líder do setor na Europa, dona de um faturamento anual de 1,4 bilhão de euros, com atividades em 38 países, inclusive no Brasil, onde já atuava com sementes de hortaliças, e 6 700 funcionários. Do outro, a Sementes Guerra, da família Guerra, de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, que atua no Brasil e no Paraguai e vendeu para a Limagrain 70% de sua divisão de milho. O negócio, que envolve inicialmente R$ 91 milhões criou a Limagrain Guerra do Brasil (LG), cuja gestão e controle administrativo ficarão em mãos dos brasileiros. “Temos grandes ambições no Brasil”, afirmou Daniel Cheron, presidente da Limagrain, durante visita a Pato Branco. Por grandes ambições entenda-se interesse futuros também nos ramos da soja, trigo e feijão. “Estamos prontos para acompanhar o objetivo deles”, diz Luiz Fernando Guerra, presidente da Sementes Guerra e, agora, também da Limagrain Guerra.
A criação da nova empresa possibilitou a Limagrain ter acesso ao que começa lhe faltar na Europa, terras agricultáveis disponíveis (as da Sementes Guerra somam 7,5 mil hectares, em propriedades localizadas nos Estados do Paraná e Piauí) e um parceiro que entende no mercado brasileiro. “Trata-se de um mercado que varia muito de acordo com cada região e cada cultura”, diz Cheron. Na outra ponta, a Guerra achou quem pudesse fornecer-lhe biotecnologia avançada para enfrentar os concorrentes internacionais. Foi um casamento de interesses para ambos, que esperam obter um faturamento de 10 milhões de euros nos primeiros 12 meses de atividades da LG. Ricardo Guerra, filho de Luis Fernando e diretor-executivo da Sementes Guerra, acredita que parcerias com empresas internacionais são fundamentais para o futuro do setor. “Não existe meio de você concorrer com as grandes multinacionais que aqui estão instaladas se não tiver um respaldo biotecnológico grande”, diz. “O mercado de sementes avança cada vez mais em tecnologia, segurança alimentar e pesquisas.” A recíproca é verdadeira para o sócio. “Também não há como uma empresa do ramo da agricultura se manter fora do Brasil”, afirma Cheron. “O mundo todo já percebeu isso.”
Para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas ( Abrasem), a criação da LG representa um avanço no setor, justamente no quesito de biotecnologia. Em 2010, o uso da biotecnologia garantiu R$ 3,6 bilhões à agricultura nacional e a nova empresa pode impulsionar ainda mais este setor. “O Brasil é o País que mais tem possibilidades de crescimento nesta área, está no foco de interesse de todas as grandes multinacionais de sementes”, diz Luis Carlos Miranda, diretor da Abrasem. “Nada mais natural que cada vez mais, estas empresas se estabeleçam por aqui em busca de crescimento, enquanto isso, as empresas brasileiras podem se firmar no mercado externo ancoradas em nomes fortes.” Em 2010, a área cultivada com sementes foi de aproximadamente 40 milhões de hectares: 23,2 milhões de hectares para soja, 13 milhões de hectares para o milho, 836 mil hectares em algodão. A meta da Limagrain Guerra é conquistar 10% do mercado brasileiro de sementes em um ano, com a produção inicial de 500 mil sacos/ano, e futuramente, instalar pelo menos cinco estações de pesquisa genética no País. As primeiras estações serão implantadas no Paraná e outra, na região Centro Oeste. “É indispensável investir em pesquisa e tecnologia em um País como o Brasil”, diz Joël Arnaud, vice-presidente da Limagrain. “Já estamos de olho neste setor”.
Atualmente, a Sementes Guerra é responsável por uma fatia de 3% do mercado nacional com fornecimento de sementes de soja, milho, trigo e feijão. Há três anos, partiu para o ramo da agroindústria de cereais, com duas marcas, Primoratta e Glee, que foram responsáveis por 10% do faturamento total do grupo, de R$ 75 milhões, em 2010. Até o final deste ano, a empresa deverá processar e fabricar todos os produtos em um parque industrial próprio, no município de Guarapuava (PR). Na área de sementes, tem capacidade para produzir algo em torno de 1,2 milhão de sacas/ano – 700 mil de milho, 400 mil de soja, 70 mil de trigo e 50 mil de feijão. “Com a parceria, além do crescimento das duas empresas em áreas que eram consideradas seus principais gargalos, teremos como impor novos desafios também no Paraguai, onde pretendemos crescer 25% em todas as nossas áreas de atuação, mas principalmente milho”, afirma Ricardo Guerra. De acordo com ele, o aumento das exportações para o país vizinho depende apenas de regulamentações biotecnológicas por parte do governo local. As vendas de sementes de milho também são o carro chefe da Limagrain na Europa, onde o grupo que opera com três empresas: a Vilmorin & Cie, o braço de sementes de cereais, oleaginosas, hortaliças e jardinagem, a Limagrain Céreales Ingrédients, fábrica de farinhas e derivados, e a Jacquet, segundo maior fabricante de pão da França.

Fofo


O ex-ministro Roberto Rodrigues é sempre gentil e fofo. Simples e humilde. Ele pode. Fiz o Leo ficar acordado assistindo o desfile da escola de samba do Rio só pra eu ver o Dr Roberto.

Negócio da China?

Ex-ministro Roberto Rodrigues propõe que obras de modernização portuária, orçadas em US$ 30 bilhões, sejam financiadas pelos chineses em troca da oferta dos produtos agrícolas

Viviane Taguchi

Uma relação de troca, interessante para ambos os lados. É isso que pode “salvar” o agronegócio brasileiro, segundo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A troca que Rodrigues propõe se refere ao maior gargalo do agronegócio brasileiro, o sistema portuário, prestes a travar caso não receba investimentos imediatos, e a China, país que está com os olhos bem arregalados para o Brasil. “Podemos estabelecer um acordo de endividamento securitizado com a China, que tem uma economia centralizada e planejada”, afirma Rodrigues. A proposta é que a China forneça números e dados de crescimento para que o Brasil cresça paralelamente para atender esta demanda. “O primeiro passo é acertar os números: quanto a China vai precisar e quais produtos? Quanto cresceríamos para atender este mercado?. Assim, os chineses poderiam financiar as obras de modernização da nossa rede de logística, com uma saída para o Pacífico, passando pelo Mapito (região agrícola que engloba Maranhão, Piauí e Tocantins), e nós pagaríamos este financiamento em 40 anos com nossos produtos agrícolas”, explica Rodrigues. Em sua opinião, este acordo resolveria de uma só vez três importantes problemas do agronegócio: o domínio do mercado na China, a modernização da infraestrutura e o aumento da produção interna.
A rede logística defasada, segundo Rodrigues, é o nosso maior gargalo. “Precisamos priorizar os investimentos em ferrovias e portos, senão vamos travar. A oferta mundial de alimentos vai crescer 20% nos próximos dez anos e o Brasil será o responsável por 40% deste crescimento para atender a demanda. É um cenário extremamente promissor para nós, mas nada adiantará se não tivermos estratégias para o agronegócio”, alerta o ex-ministro. “Precisamos de acordos comerciais e a China está aí”, afirma. O acordo chegou a ser discutido no final de sua gestão como ministro da agricultura, em 2006, e volta a pauta agora. “Vamos retomar a discussão junto ao Conselho Empresarial Brasil-China. O Sérgio Amaral [atual presidente do conselho e embaixador] defende o acordo”, informou Rodrigues.
Em 2010, a China liderou o ranking dos países que mais compram produtos do agronegócio brasileiro: 23,4% das vendas totais do setor, que somaram US$ 50,1 bilhões, foram para os chineses. Dados da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC) apontam que os investimentos da China no Brasil em 2011 devem chegar a US$ 25 bilhões e ultrapassar os US$ 40 em 2014. Nos portos, a situação é crítica. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que seriam necessários R$ 30 bilhões para serem aplicados até 2014 nos portos brasileiros. Deste valor, R$ 5,1 bilhões estão garantidos pelo PAC 2 do governo federal, e R$ 15 bilhões vêm de empresas privadas, como a Rumo, braço de logística da Cosan, que aplicou R$ 1,3 bilhão em seu terminal em Santos. O estudo diz ainda que os maiores problemas estão nos portos de Santos (SP), Vitória (ES), Pecém (CE), Itaqui (MA) e Rio Grande (RS).

Falei...

Um monte de gente teimou comigo na edição da matéria, alegando que eu estava falando besteira...ai laiá. Se o Plinio falou, tá falado. Se o Salibe disse, "Sim Verve", tá dito. Mas será o Benedito? Não....é a arrogância de algumas pessoas que se acham mais entendidos que os especialistas.
A Renata D..S continua chamando o Plinio de sogro. hahahaha.

Menos cana, preços em alta

Fatores climáticos atrapalham o desenvolvimento físico da cana-de-açúcar plantada para abastecer a safra 2011/12, empurrando para cima as cotações do açúcar e do etanol

Viviane Taguchi

A moagem da cana-de-açúcar da safra 2011/12 vai começar. As turbinas das usinas estão sendo acionadas e em menos de um mês, todas as moendas brasileiras já estarão funcionando em sua plenitude. É o que deveria ser, mas tudo indica que não será, pois a regra básica do setor sucroenergético - dar início ao novo ciclo entre os dias 25 de março e 1º de abril de cada ano não vai se aplicar à próxima safra, pois a cana disponível nas lavouras ainda não está pronta. Foram quatro meses de seca intensa, em 2010, seguidos de dois meses muito chuvosos neste ano, e o resultado é uma cana baixa, com desenvolvimento atrasado, que pode reduzir o rendimento agrícola em entre 4% e 6% nos primeiros meses da temporada. A queda, estimada em - 0,3% em relação à safra anterior, de 556,19 milhões de toneladas, vai ser sentida na região Centro-Sul, a mais produtiva do País, segundo o levantamento de estimativas iniciais da consultoria Datagro. A moagem na região Nordeste, ao contrário, terá alta de 3,4%.

A queda da produção dos canaviais da região Centro-Sul é a primeira dos últimos sete anos e será reforçada pelo alto índice de renovações de lavoura, já que o excesso de chuva prejudicou demais as soqueiras. “Ainda teremos uma renovação de canaviais na ordem de 19%, diferentemente do que ocorreu nas safras anteriores”, diz Plínio Nastari, CEO da Datagro. Com isso, de acordo com Nastari, deverá haver uma queda na produção da região Centro-Sul, ao mesmo que se repetirá a mesma oferta de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da safra anterior. “Portanto, os preços continuarão pressionados, tanto para o açúcar como para o etanol”, afirma.

Segundo Nastari, a moagem total da região Centro-Sul em 2011/12 será de 550 milhões de toneladas, com uma produção de 35,1 milhões de toneladas de açúcar e 25,3 bilhões de litros de etanol. A moagem da cana da região Nordeste será de 61 milhões de toneladas. “Continuaremos a priorizar a produção açucareira, o que promoverá naturalmente um equilíbrio no preço do etanol, que deve girar em torno de R$ 0,85/litro (VOU CONFIRMAR) sem impostos. Ele admite, no entanto, que as oscilações do mercado possam modificar esse quadro mais adiante, obrigando as usinas a reverter o mix de produção, para equilibrar os preços. Mas o mais provável, na previsão do consultor, é que em 2011 a sazonalidade de preços diminua entre a safra e a entressafra. “Poderemos ter o maior valor médio para o etanol dos últimos 30 anos”, afirma.

Lem

Seis horas de vôo Passamedo mais uma hora de viagem de carro com um motorista apressado. Chegamos em Luis Eduardo Magalhães com fome, suados, cansados. Era terça e os restaurantes da cidade só abrem a partir de quinta. me disseram que o melhor restaurante da cidade era o hotel onde estávamos. Mas lá, só tinha coxinha e risoles. Ruffles nestas bandas é sempre a melhor saída.
O Rally foi legal, mas no final eu ja não estava aguentando mais. Passei frio em Lem, a minha cabeça quase explodiu, mas o pessoal de lá é mto gente boa. todo mundo colaborou com a matéria, pena que na volta (mais seis horas de vôo Passamedo e mais três horas de espera do motorista em Guarulhos), os problemas recomeçaram. E a matéria, que seria para quatro páginas, saiu só em uma.

Soja off-road

Em busca de novos parceiros e clientes, a americana FMC transforma um dia de campo em rali de regularidade entre as lavouras de soja do extremo Oeste da Bahia

Viviane Taguchi, de Luis Eduardo Magalhães (BA)

Eram 7 horas da manhã e a principal avenida de Luís Eduardo Magalhães, cidade que faz a divisa entre Bahia, Tocantins e Goiás já estava bastante movimentada. Cerca de 200 grandes produtores rurais da região se alinhavam a bordo de suas picapes para dar a largada a um rali de regularidade, batizado de Giro FMC, que prometia um dia de aventura, conhecimento técnico e possivelmente bons negócios. A competição, em que os vencedores são aqueles que seguem com maior precisão as instruções de uma rota pré-elaborada pela organização, é uma carta na manga da multinacional de defensivos FMC Agricultural Products para apresentar novas tecnologias e atrair clientes. Em Lem (apelido da cidade baiana que conta com mais de 2,5 milhões de hectares agricultáveis), o rali aconteceu pelo terceiro ano consecutivo, e o clima de competição entre os pilotos era acirrado. “Ei, Fulano. Vou fazer você comer poeira”, dizia um ao outro, pelas janelas dos carros. A resposta vinha na lata: “Igual eu fiz contigo no ano passado?” A equipe de DINHEIRO RURAL acompanhou o rali, do começo ao fim. Foram oito horas e mais de 380 quilômetros percorridos entre as trilhas das maiores fazendas da região. Chovia muito e, vez ou outra, até a caminhonete com tração 4X4, que transportava a reportagem, ameaçava atolar nas poças de lama formadas nas estradas.
Diferentemente dos tradicionais dias de campo, em que produtores são convidados a visitar uma fazenda e lá ouvir o que os especialistas têm a dizer, no Giro FMC as palestras aconteciam no intervalo entre uma fazenda e outra. “Parece apenas uma brincadeira, mas posso dizer que é uma brincadeira com intenções muito sérias e responsáveis para o produtor rural”, afirma o agricultor Fábio Lauck, que cultiva 10 mil hectares de soja e milho na região. “É uma forma descontraída de irmos ao campo do vizinho ver como está a soja dele, obter conhecimento técnico para melhorar nossas lavouras e trocar informações sobre o mercado.” Lauck, paranaense que migrou para o Oeste baiano, como a maioria dos produtores da região, participa dos rallies promovidos pela multinacional desde a primeira edição. Estabelecido desde a primeira metade dos anos 1980 em Luís Eduardo de Magalhães, é fanático por esportes radicais, assim como o seu vizinho, João Antônio Franciosi, campeão da categoria especial do Rally dos Sertões no ano passado. Em Lem, Franciosi acompanhou o evento a bordo de seu monomotor. “É importante acompanhar as palestras técnicas, mas este ano eu não quis participar do rali por terra, vim pelos ares”, disse Franciosi. Uma das paradas técnicas foi feita na propriedade de Franciosi, a Fazenda Santana.
A estratégia da FMC é realmente atrair os produtores. Márcia Terzian é gerente nacional das culturas de soja e milho e saiu de Campo Grande (MS) para acompanhar a corrida em Lem. “Essa aproximação é importante para a empresa, pois precisamos saber o que o produtor de cada região precisa para levarmos as soluções para a lavoura deles”, afirma Márcia. “Começou como um negócio e virou tradição”. Só neste ano, além da competição em Luiz Eduardo Magalhães, ela já participou das etapas do giro em Formosa/Cristalina (GO), Erechim/Ijuí (RS) e em Balsas (MA). Além do circuito da soja, a FMC promove uma versão do Giro reunindo os principais produtores de cana-de-açúcar do País.

DINHEIRO RURAL - FEVEREIRO/2011

Canseira

Santa Rosa é a terra da Xuxa. credo!!!! Fomos para a cidade de ônibus, dormimos duas noites na estrada (no onibus) e nessa pauta, eu troquei de roupa na rodoviária de Ijui. Meu Deós...sai do banheiro da rodoviaria (enquanto o Marco Ankoski ficou tomando conta das bagagens) usando vestido estampado verde e botina marrom cheia de bosta de vaca. Que look. O Marcão morreu de rir, depois fingiu que não me conehcia. Toda a gauchada ficou me olhando estranho, então tive que tirar as botinas e colocar chinelos havaianas também no meio da rodoviária. Ah, que que tem? ninguem me conhecia mesmo...na volta, acordei meio zureta e desci na parada do ônibus. Entrei no banheiro masculino, mas percei a tempo. Quando eu sai, tinha quatro crianças esperando do lado de fora para ver minha cara. Pestinhas!

Os óleos milionários da Camera

De olho no mercado de capitais, a gaúcha Camera Agroalimentos se une ao fundo de investimentos CRP VII para expandir a produção de óleos e faturar R$ 1,5 bilhão

Viviane Taguchi, de Santa Rosa (RS)

Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, é uma cidade bastante conhecida por seus filhos ilustres. Lá, nasceram a apresentadora Xuxa Meneghel, o goleiro Taffarel, que ganhou um gigante monumento no centro da cidade após elevar o Brasil a tetracampeão mundial de futebol, e até Gisele Bündchen, a top model número 1 do Mundo, já passeou muito pelas ruas da pequena cidade quando ainda era anônima. No entanto, a maior, mais valiosa e disputada celebridade de Santa Rosa não tem cabelos loiros, não foge dos paparazzi e nem tem namorados que ostentam status hollywoodianos, embora seja mais cobiçada do que qualquer uma das personalidades citadas acima. Gorda, pálida, e com uma pinta preta no meio, é a soja a estrela maior de Santa Rosa. Foi lá que, em 1923, ela brotou pela primeira vez em solo brasileiro, e é de lá que sai grande parte de sua safra nacional. Anos após sua estréia, ela é o carro chefe do agronegócio riograndense, mas no que depender da Camera Agroalimentos, uma empresa tipicamente gaúcha que resolveu mirar o mercado de capitais a partir deste ano, a soja vai brilhar muito mais, não como um genuíno grão, mas como valiosos óleos brutos e refinados. É o que promete Roberto Kist, 37 anos, herdeiro do grupo e responsável por iniciar a nova era dentro da empresa, que almeja investir R$ 200 milhões e faturar R$ 1,5 bilhão em 2011. “Não tenho medo das mudanças. Pensar em reposicionamento no mercado é fundamental para quem quer crescer”. O lema de Kist segue a filosofia de Montesquieu, conforme ele mesmo lembra diariamente. “É preciso crescer, mas de forma organizada. Se algo sair do seu controle, a gestão está ameaçada”.
A Camera sempre foi uma empresa tímida, familiar e regional, fundada há quatro décadas pelos gaúchos Orestes Camera e Vanoli Kist, respectivamente avô e pai de Roberto. Posicionada em uma região estratégica do Rio Grande, eles souberam como ninguém galgar seu lugar no mercado regional e preparar o terreno para que Roberto desse novos rumos à empresa, a fase tecnológica e o mercado de capitais. Em quatro décadas, Camera e Kist consolidaram o negócio agrícola como uma tradding e hoje absorvem 16% de toda a safra gaúcha de soja, proveniente de 65 mil propriedades rurais familiares. Com a estrutura que criaram, fomentam a economia das 34 cidades onde a empresa mantém postos de armazenamento e recebimento de grãos. “Estamos presentes em pelo menos 60% do Rio Grande do Sul, o que facilita esta captação de grãos em detrimento dos problemas de infra-estrutura logística”, diz Kist. Da soja, da qual extraem 280 toneladas de óleo/dia, expandiram o negócio para todas as culturas típicas e sazonais da região Sul: milho, trigo, girassol e canola. Durante 30 anos, Camera e Kist foram negociadores de commodities, Roberto entrou para industrializar. “A indústria deu dinâmica à agricultura”, justifica o executivo, que em dez anos investiu cerca de R$ 70 milhões e colocou quatro unidades industriais com tecnologia de ponta para funcionar. “É tradição e tecnologia juntas, uma cadeia que se completa”. O executivo não enxerga as gigantes, como a Bunge, por exemplo, como uma ameaça ao seu negócio. “Você tem que enfraquecer o seu concorrente e criar um vínculo forte com os fornecedores. Esta última, nós fazemos desde o início das atividades da Camera. É uma tradição no Sul valorizar o homem do campo”, afirma.
O conglomerado Camera Agroalimentos assusta pela grandiosidade. A empresa construiu um patrimônio que inclui dois portos secos para escoamento de grãos, um em Ijuí e outro em Cacequi, 34 unidades de armazenamento e recebimento de grãos, as chamadas “casas”, onde também é possível vender insumos diretamente aos produtores rurais, uma unidade de distribuição e quatro unidades industriais. Em Santa Rosa está a fábrica de óleos bruto e refinado, que processa 1,5 mil toneladas de soja/dia; em São Borja, o beneficiamento de arroz, empreendimento mais recente; em Santo Cristo, uma fábrica de ração animal a partir de farelo de soja, e em Ijuí, uma moderníssima indústria de biodiesel de R$ 45 milhões, a única do País a processar apenas biodiesel de soja e foi inaugurada em novembro do ano passado. “No segundo semestre iniciaremos a fabricação do biodiesel a partir do girassol e da canola”, revela João Arthur Manjabosco, gerente comercial da unidade. Somente esta fábrica deverá faturar R$ 250 milhões este ano. “É um mercado em franco crescimento e a diversificação com óleos de canola e girassol agregam valor ao produto”. Mas dentro desta cifra, ainda constam as exportações da glicerina e ácidos graxos retirados do óleo bruto, que vão diretamente para a China. “São subprodutos valiosos no mercado externo. A demanda do mercado chinês é imensa”. Todas as unidades industriais da Camera têm ainda um outro diferencial, o investimento em automação. “Não tem como avançarmos no mercado se não houver investimentos em equipamentos como este braço robótico, capaz de encaixotar 10 mil garrafas de óleo por dia”, diz Leandro Carbone, gerente industrial em Santa Rosa. “É a primeira de todo o Rio Grande”.
Assim como a fábrica de óleos de Santa Rosa, a matéria-prima do biodiesel vem 100% de produtores rurais cadastrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar. Erno Luís Tchiedel cultiva 50 hectares de soja nos arredores de Ijuí. Divide o trabalho com a esposa, Lisânea, e os sogros Assadia e Elvira e vende 100% de sua produção para a Camera. “É uma forma mais vantajosa para o agricultor, porque você tem a garantia de venda de toda a sua colheita e a assistência técnica e agrícola sai de lambuja”, diz o produtor, que conseguiu renovar a frota agrícola da propriedade em uma safra. “Para nós, produtores do Sul, é a forma mais viável de comercializar nossa safra”. Roberto Kist faz questão de manter este modelo de negócios. “A cultura sulista segue o modelo europeu. A agricultura familiar é fundamental para fomentar o agronegócio no Rio Grande do Sul. Dá certo e vamos fortalecer”.

DINHEIRO RURAL / JANEIRO 2011

Encomenda para você

Como produtores rurais conseguem utilizar os serviços dos Correios para agregar valor ao produto e driblar os gargalos de logística

Viviane Taguchi

Certa manhã, um fazendeiro descobriu que a sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa e mostrou-o à mulher: “Veja, estamos ricos”. O fazendeiro levou o ovo ao mercado e vendeu-o a um bom preço. No outro dia, a galinha tinha posto mais um ovo de ouro e de novo, o fazendeiro foi ao mercado e vendeu o ovo a um preço ainda melhor. E assim aconteceu durante muitos e muitos dias. A fábula da galinha dos ovos de ouro faz parte do imaginário infantil de muitas gerações. No entanto, em Porto Ferreira, cidade distante 220 quilômetros de São Paulo, um produtor rural conseguiu transformar este conto em parte de sua rotina diária de negócios. Mário Salviatto pode ser considerado o fazendeiro dos ovos de ouro. Com ajuda da internet e dos Correios, ele transformou uma dúzia de ovos de galinha de R$ 3,50 em uma dúzia de ovos de R$ 18. Mas diferentemente daquele fazendeiro da fábula, que matou a galinha acreditando que dentro dela havia um tesouro, Salviatto incrementou o negócio e multiplicou os lucros, driblando um dos maiores problemas do agronegócio: a logística. “Eu sempre gostei de aves, sempre usei a internet e sempre recebi encomendas pelos Correios com segurança. Então pensei: porquê não?”, diz o produtor, que há quatro anos começou vender ovos galados pela internet e a despacha-los pelos Correios.
Com a nova forma de comercialização o agricultor conseguiu agregar valor aos ovos e à sua criação de galinhas exóticas. “Não são espécies encontradas facilmente em qualquer região. Por isso, o interesse foi grande por parte de produtores que querem ter estas galinhas”, explica. Para despachar a produção, Salviatto embala os ovos um a um em plástico bolha e os acondiciona em uma caixa de isopor, forrada com serragem e jornal. “Raramente temos problemas com quebras. Em quatro anos, se 10 ovos se quebraram, foi muito”. Uma dúzia de ovos enviada para um local distante pode chegar a custar R$ 100 para o comprador, que paga o frete e a embalagem. Salviatto já vendeu de uma só vez 40 dúzias para um criador paulista e duas dúzias para um criador indígena. “Quando ele me passou o endereço eu achei esquisito, pois era uma tribo de índios”. O único problema que Salviatto enfrenta para despachar a produção pelos Correios é o aparelho de Raio-X, que pode inviabilizar o desenvolvimento do embrião na choca. “O embrião corre risco, mas no geral os resultados são satisfatórios”.

Assim como o avicultor, a CRV Lagoa da Serra, tradicional empresa de genética bovina, de Sertãozinho, também no interior paulista, utiliza o serviço dos Correios para transportar sêmen de boi. Segundo Gerson Sanches, gerente de logística, 90% das remessas de sêmen são enviados em botijões especiais. “Só há problemas quando existem greves ou intempéries climáticas graves”, diz. Ao contrário dos ovos, o sêmen não corre o risco de ser inutilizado ao passar pelo raio-x. “Não há possibilidade de isso acontecer. Para tanto, desenvolvemos o sêmen Express, que é um botijão especialmente elaborado para o transporte pelo Sedex”. Sanches diz que, por ano, 5 mil remessas de sêmen são feitas pelo Sedex. “Eles têm um eficiente sistema de logística, chegam em qualquer lugar. De avião ou de carro, não conseguiríamos”.

DINHEIRO RURAL - JANEIRO/2011

Gente bouuuua

Gostei muito de Campo Mourão e principalmente, da organização que foi esta pauta. Tudo porque o Ilivaldo, assessor da Coamo é o cara de imprensa mais empenhado em fazer proporcionar uma boa pauta que já conheci nessas viagens por aí. Tudo foi feito no horário programado e até a cor da camisa do Galassini ele pediu que diséssemos. Na noite anterior, fiz o Ilivaldo tirar uma foto minha na casinha do papai noel da Coamo. hahahaha, que coisa de menina!
O José Aroldo Galassini realmente é o cara que dizem ser. Não é a toa...

Ele fez a Coamo decolar

José Aroldo Galassini, o homem que transformou uma pequena associação paranaense na maior cooperativa agroindustrial singular do mundo revela como conseguiu faturar R$ 5 bilhões com a venda de grãos no mercado futuro

Viviane Taguchi, de Campo Mourão (PR)

‘A união dos agricultores sob a luz do cooperativismo fez com que da terra emergisse esta grande obra’. A mensagem não é apenas uma citação gravada na obra do artista plástico Almir Trevisan, cravada na recepção do edifício da maior cooperativa agroindustrial do mundo, a Coamo, em Campo Mourão (PR), mas o reflexo do sentimento dos 22,7 mil produtores rurais que hoje fazem parte deste conglomerado. A Coamo nunca viveu crises, nunca sobressaltou-se em desequilíbrios econômicos, nunca hesitou em arriscar. Em 40 anos, tornou-se o melhor e maior modelo de negócios a ser seguido, alcançando o faturamento de R$ 5 bilhões em 2010, com a venda de soja, milho e trigo, e produtos industrializados. E para o seu presidente, o agrônomo José Aroldo Galassini, “nem foi um ano tão bom assim. Tivemos grandes volumes, mas os preços estavam baixos”. Imaginem se fosse melhor! Galassini, pai coruja da Coamo e seu idealizador, pôs a cara a tapa, arriscou e chegou onde queria, ou melhor, ainda vai chegar, pois seus planos vão longe e são milionários. O homem de fala calma e jeito bem simples recebeu a equipe da DINHEIRO RURAL em seu escritório, no nono andar da sede da Cooperativa, na véspera do Natal. Adiou uma reunião importante para nos receber, e estava animado com a ideia de uma sessão de fotos na lavoura, mesmo sabendo que um monomotor daria um rasante em sua cabeça. Não titubeou e nem tentou escorregar de qualquer pergunta. Entre uma resposta e outra, sapeava o monitor do seu computador, que mostrava, minuto a minuto, as cotações das Bolsas de Chicago, Londres e Nova York. “Olha, eu nem falo inglês, comecei minha carreira tarde, quase aos 30 anos, não sou especialista do mercado financeiro, mas estou sempre de olho porque podem aparecer oportunidades importantes para os nossos produtores. É nesta hora que eu arrisco”, disse ele. Seus produtores são como filhos debaixo da barra da calça. “Não... são companheiros fieis de longa data que acreditaram no mesmo sonho”, desconversa, com um sorriso que beira à timidez. José Aroldo Galassini e a Coamo podem ser vistos como um só, pois ele pensa como Coamo, e a Coamo age como ele. Se existe a fórmula do sucesso, a de Galassini foi esta.

O agrônomo comanda a Coamo há 35 anos, tempo que seria considerado longo demais em uma empresa privada, mas adequado para o cooperativismo, quando este, claro, dá bons resultados em caixa. “Quem está do outro lado, critica muito, mas a verdade é que este homem continua no comando da Coamo porque ele revolucionou a realidade rural paranaense de forma muito positiva”, explica Moacir José Ferri, produtor rural e sócio-fundador da cooperativa. “Sua atuação foi fundamental para o agronegócio brasileiro se destacar no exterior, nunca conseguiríamos sem ele. Hoje, seu trabalho é copiado por todas as cooperativas”, continua o produtor, que mantém quatro gerações da família Ferri ligada a Coamo. Desde então, Galassini tornou-se um mito para o agronegócio, e um exemplo internacional para o setor quando foi escolhido para estrelar uma campanha publicitária da Bolsa de Chicago, em 2007, cujo título era “Eu colho oportunidades a partir dos riscos”. “Acredito que eles achavam diferente um agricultor como eu ter ousado entrar lá, no início dos anos 80, com a cara e a coragem e isso ter dado certo para o agronegócio brasileiro”, comenta o presidente. “Eu gostaria que todos os agricultores brasileiros tivessem a oportunidade de operar no mercado futuro. É um mercado ousado, que precisa ter uma estrutura e capital por trás, mas é uma boa oportunidade. Não é um bicho de sete cabeças”. Esse jeitão despojado sempre fez parte de sua gestão. Galassini foi o segundo presidente eleito da Coamo. “Eu era muito menino quando fundamos a cooperativa, por isso não ousei me candidatar”. O primeiro presidente foi Fioravante Ferri, que faleceu quatro anos depois. “Aí as coisas já estavam mais estruturadas e eu me candidatei”. José Aroldo nunca tinha nem ouvido falar em Campo Mourão quando foi enviado para lá, em 1968, como funcionário da antiga Acarpa, hoje Empresa de Assistência Técnica e Expansão Rural, Emater. “O que eu encontrei era desanimador: existiam cinco tratores, ninguém conhecia a mecanização e o solo era ácido. Esta região era conhecida como a terra dos três ‘s’: samambaia, sapé e saúva”, lembra.

O jovem engenheiro transformou a pequena associação agrícola, então com 79 associados, na maior cooperativa agroindustrial singular do mundo. Absorveu oito cooperativas em dificuldades, e como ele mesmo diz, “desenterrou os sapos de macumba delas”. Enxergou no mercado externo uma forma de captar dinheiro. “Eu precisava achar um jeito de agregar valor à nossa produção e então, criamos a Coamo Internacional para exportar CIF [quando no preço de venda estão inclusos os custos da mercadoria, seguro e frete] diretamente para a Europa”, diz ele. Hoje, são 22,7 mil associados, 72% de mini e pequenos produtores, quatro milhões de hectares plantados, área quase do tamanho do Estado do Rio de Janeiro, 5,5 milhões de toneladas de grãos produzidas e comercializadas no mercado futuro, o que garante um preço melhor para a mercadoria, cinco fábricas que produzem 6,5 toneladas de alimentos/dia e três empresas subsidiárias, a Coamo Internacional, a CredCoamo e a ViaSolo. Neste ano, a Coamo vai crescer mais. Galassini quer duplicar a produção de alimentos com a implantação de um novo projeto industrial. “Vamos investir R$ 200 milhões nesta nova fábrica e será um grande salto na nossa economia”, diz. Pelo menos 23% da safra 2011 já está comercializada. E para ele, tudo isso ainda é pouco. “Vamos que vamos”. O entusiasmo nos investimentos ainda inclui o setor de armazenagem, um problema nacional. “A Coamo tem capacidade para armazenar 38 milhões de toneladas, ampliaremos esta capacidade em 500 mil toneladas. Não vamos ficar aqui de braços cruzados esperando o governo”, garante o empreendedor, que na política é bem imparcial. “Claro que sempre brigamos pelos interesses do agronegócio e é preciso melhorar muito a logística dos transportes de produtos agrícolas, mas não dá para nos acomodar e jogar a culpa nos governos”. Toda a produção da Coamo, que vem de produtores paranaenses e sul-matogrossenses, é escoada através de dois portos, o de Paranaguá, no Paraná, e o São Francisco, em Santa Catarina. “Felizmente, a situação está melhorando, mas já deveria ser bem melhor”.

“Um dos principais destaques da gestão de Galassini foi sempre manter o foco nos preceitos do cooperativismo e a sua grande preocupação em capitalizar a cooperativa. Isso permitiu que a Coamo não tivesse sobressaltos ou crises financeiras”, explica João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná. “Esta foi a chave de sua brilhante administração”, reforça. O produtor rural Gabriel Rogério Jort concorda. “Eu posso dizer que os produtores rurais daqui são privilegiados por terem um empreendedor à frente dos negócios. Não sentimos o peso das crises financeiras no bolso, ao contrário do que ocorreu com vários outros setores do agronegócio porque o Galassini estava sempre de olhos bem atentos ao mercado. Veja só, hoje eu sou até exportador de soja”, comemora o produtor. “Não, não é à toa que este homem se destacou”.



Dinheiro Rural - Janeiro/2011