Em busca de novos parceiros e clientes, a americana FMC transforma um dia de campo em rali de regularidade entre as lavouras de soja do extremo Oeste da Bahia
Viviane Taguchi, de Luis Eduardo Magalhães (BA)
Eram 7 horas da manhã e a principal avenida de Luís Eduardo Magalhães, cidade que faz a divisa entre Bahia, Tocantins e Goiás já estava bastante movimentada. Cerca de 200 grandes produtores rurais da região se alinhavam a bordo de suas picapes para dar a largada a um rali de regularidade, batizado de Giro FMC, que prometia um dia de aventura, conhecimento técnico e possivelmente bons negócios. A competição, em que os vencedores são aqueles que seguem com maior precisão as instruções de uma rota pré-elaborada pela organização, é uma carta na manga da multinacional de defensivos FMC Agricultural Products para apresentar novas tecnologias e atrair clientes. Em Lem (apelido da cidade baiana que conta com mais de 2,5 milhões de hectares agricultáveis), o rali aconteceu pelo terceiro ano consecutivo, e o clima de competição entre os pilotos era acirrado. “Ei, Fulano. Vou fazer você comer poeira”, dizia um ao outro, pelas janelas dos carros. A resposta vinha na lata: “Igual eu fiz contigo no ano passado?” A equipe de DINHEIRO RURAL acompanhou o rali, do começo ao fim. Foram oito horas e mais de 380 quilômetros percorridos entre as trilhas das maiores fazendas da região. Chovia muito e, vez ou outra, até a caminhonete com tração 4X4, que transportava a reportagem, ameaçava atolar nas poças de lama formadas nas estradas.
Diferentemente dos tradicionais dias de campo, em que produtores são convidados a visitar uma fazenda e lá ouvir o que os especialistas têm a dizer, no Giro FMC as palestras aconteciam no intervalo entre uma fazenda e outra. “Parece apenas uma brincadeira, mas posso dizer que é uma brincadeira com intenções muito sérias e responsáveis para o produtor rural”, afirma o agricultor Fábio Lauck, que cultiva 10 mil hectares de soja e milho na região. “É uma forma descontraída de irmos ao campo do vizinho ver como está a soja dele, obter conhecimento técnico para melhorar nossas lavouras e trocar informações sobre o mercado.” Lauck, paranaense que migrou para o Oeste baiano, como a maioria dos produtores da região, participa dos rallies promovidos pela multinacional desde a primeira edição. Estabelecido desde a primeira metade dos anos 1980 em Luís Eduardo de Magalhães, é fanático por esportes radicais, assim como o seu vizinho, João Antônio Franciosi, campeão da categoria especial do Rally dos Sertões no ano passado. Em Lem, Franciosi acompanhou o evento a bordo de seu monomotor. “É importante acompanhar as palestras técnicas, mas este ano eu não quis participar do rali por terra, vim pelos ares”, disse Franciosi. Uma das paradas técnicas foi feita na propriedade de Franciosi, a Fazenda Santana.
A estratégia da FMC é realmente atrair os produtores. Márcia Terzian é gerente nacional das culturas de soja e milho e saiu de Campo Grande (MS) para acompanhar a corrida em Lem. “Essa aproximação é importante para a empresa, pois precisamos saber o que o produtor de cada região precisa para levarmos as soluções para a lavoura deles”, afirma Márcia. “Começou como um negócio e virou tradição”. Só neste ano, além da competição em Luiz Eduardo Magalhães, ela já participou das etapas do giro em Formosa/Cristalina (GO), Erechim/Ijuí (RS) e em Balsas (MA). Além do circuito da soja, a FMC promove uma versão do Giro reunindo os principais produtores de cana-de-açúcar do País.
DINHEIRO RURAL - FEVEREIRO/2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
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