segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cade quer Brasil Foods mais magra

Restrições mais duras do órgão podem ameaçar fusão entre Sadia e Perdigão ou obrigar a megaempresa a vender suas marcas menores

por Viviane Taguchi

O imbróglio que envolve a fusão da Sadia com a Perdigão e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve render fortes dores de cabeça à diretoria da BRF Brasil Foods, companhia criada em 2009, quando a Perdigão comprou a Sadia. Um entendimento harmonioso entre os dois parece estar longe de acontecer. Alegando que a fusão deixaria nas mãos da BRF Brasil Foods 70% do mercado e a monopolização do setor, o Cade emitiu, no início de maio, um parecer, o Procade, pedindo restrições mais duras para aprovar a união. Isso pode indicar que a BRF terá de se desfazer de marcas como Wilson, Rezende, Confiança e Batavo ou vender a Sadia para possibilitar a livre concorrência. É justamente aí que o porco torce o rabo. Para a BRF, vender a marca estaria fora de cogitação. Mas, em meio a todas as tratativas e incertezas sobre a consolidação do negócio, como é que ficam os fornecedores de suínos e aves da Sadia e da Perdigão?

Para José Carlos Hausknecht, sócio da MBAgro Consultoria, a cadeia produtiva não sofrerá consequências em razão da decisão do Cade. “É uma decisão que envolverá muito mais as transações econômicas das companhias, o mercado e o consumidor final. A produção no campo não deve ser afetada”, diz Hausknecht. “A única possibilidade de os produtores rurais serem prejudicados seria se essas fábricas menores fossem compradas por agentes não confiáveis do mercado, e essa é uma possibilidade bem remota”, rebate.

Para a BRF Brasil Foods, essa certeza não é tão clara. Abrir mão da Sadia poderia acarretar em queda nas vendas e prejudicar a capacidade de exportações da empresa, o que refletiria na produção agrícola. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Sadia e Perdigão venderam ao exterior US$ 4,41 bilhões no ano passado, ficando atrás apenas da Vale e da Petrobras. A preocupação do Cade é com o preço final dos alimentos.

José Antônio Fay, presidente da BRF Brasil Foods, declarou o congelamento dos investimentos da companhia até a decisão final, que deverá acontecer no final de junho. Segundo ele, isso poderia beneficiar os produtores rurais, visto que a demanda seria maior para atender ao mercado externo. “Vamos criar uma grande exportadora nacional e será possível reduzir custos”, disse. Na opinião do executivo, os produtos da BRF Brasil Foods (as marcas Rezende e Wilson) concorrem diretamente com as outras marcas do mercado, como a Seara, do Marfrig. “A aprovação da fusão poderia sim incrementar a produção no campo, mas o contrário não ameaça o agronegócio”, completa Hausknecht.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cana e pecuária terão linhas de crédito específicas

Meta do governo no Plano Safra 2011/2012 é estimular a oferta de carne nos próximos dois anos e incentivar a abertura de novos canaviais, renovando as áreas

por Viviane Taguchi, de Ribeirão Preto (SP)

Pela primeira vez, o Plano Safra terá linhas de crédito específicas para a pecuária e para o setor sucroenergético. Na primeira, os pecuaristas poderão contratar até R$ 750 mil para investimentos em compra de reprodutores e matrizes (bovinos e bubalinos) e o limite de custeio também atinge o teto de R$ 650 mil, incluindo aí a pecuária de corte, leiteira, ovinocaprinocultura, suinocultura e apicultura. No ano passado, este limite era de R$ 250 mil. Wilson Araújo, coordenador geral de economia agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, explicou que a meta do governo é estimular a oferta de carne nos próximos dois anos para equilibrar o mercado.

Os pecuaristas terão mais acesso a crédito pelo Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro). "O limite de crédito por pecuarista dobrou, passou de R$ 300 mil para R$ 600 mil individualmente. O crédito coletivo também, saltou de R$ 900 mil para R$ 1,2 milhão", revela. Segundo Araújo, os pecuaristas também poderão ser beneficiados com o crédito do Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). "O aumento da renda bruta permitirá o enquadramento de médios produtores. A linha passa a considerar a renda bruta de R$ 700 mil para que o pecuarista possa acessar os R$ 8,3 bilhões disponíveis pelo Pronamp.

No setor sucroenergético, a meta é estimular a abertura de novos canaviais e renovar as áreas que já vinham sendo utilizadas. Esta linha disponibilizará R$ 1 milhão para produtores independentes, com o prazo de pagamento de cinco anos. "O objetivo maior é atendera demanda crescente por etanol, em função da expansão da indústria automobilística flex", afirmou José Carlos Vaz. A atividade também teve o limite de custeio ampliado para R$ 650 mil.

Linha de crédito para estimular a agricultura sustentável terá R$ 3,15 bi

A taxa de juros do ABC será de 5,5% ao ano, a menor taxa fixada para o crédito rural

por Viviane Taguchi, de Ribeirão Preto (SP)

Uma das principais novidades anunciadas no Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012 é a incorporação das linhas de crédito do Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora) e o Programa de Estímulo à Produção Agropecuária Sustentável (Produsa) ao Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que visa estimular uma "safra verde" (com a recuperação de áreas de pastagens degradadas, implantação e ampliação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, correção e adubação de solos, plantio e manutenção de florestas comerciais, adoção da agricultura orgânica, agricultura de precisão, recomposição de áreas de preservação permanentes ou de reserva legal), e terá R$ 3,15 bilhões disponíveis.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, José Carlos Vaz, a taxa de juros do ABC será de 5,5% ao ano, a menor taxa fixada para o crédito rural.

O Programa ABC foi incluído no Plano Safra no ano passado, mas poucos produtores rurais acessaram o crédito e quase todo o dinheiro,R$ 2 bilhões, ficaram nos bancos.

"Realmente, existia uma complexidade de exigências e regras para o Programa ABC. Com a incorporação dos outros dois programas e maiores esclarecimentos ao produtor, acreditamos que este crédito terá maior acesso nesta safra", afirmou Vaz.

Outro anúncio que muda as diretrizes do plano é a ampliação do limite de custeio da safra, que passa a ser fixado em R$ 650 mil para os produtores rurais que adotarem práticas sustentáveis como o plantio direto, agricultura orgânica e os produtores que já possuem ou que apresentem um plano de recuperação das áreas de preservação permanentes (APP) e de reservas legais. "Esse valor pode ser expandido ematé 45% dependendo da quantidade de técnicas utilizadas pelo produtor", ressalta.