Fatores climáticos atrapalham o desenvolvimento físico da cana-de-açúcar plantada para abastecer a safra 2011/12, empurrando para cima as cotações do açúcar e do etanol
Viviane Taguchi
A moagem da cana-de-açúcar da safra 2011/12 vai começar. As turbinas das usinas estão sendo acionadas e em menos de um mês, todas as moendas brasileiras já estarão funcionando em sua plenitude. É o que deveria ser, mas tudo indica que não será, pois a regra básica do setor sucroenergético - dar início ao novo ciclo entre os dias 25 de março e 1º de abril de cada ano não vai se aplicar à próxima safra, pois a cana disponível nas lavouras ainda não está pronta. Foram quatro meses de seca intensa, em 2010, seguidos de dois meses muito chuvosos neste ano, e o resultado é uma cana baixa, com desenvolvimento atrasado, que pode reduzir o rendimento agrícola em entre 4% e 6% nos primeiros meses da temporada. A queda, estimada em - 0,3% em relação à safra anterior, de 556,19 milhões de toneladas, vai ser sentida na região Centro-Sul, a mais produtiva do País, segundo o levantamento de estimativas iniciais da consultoria Datagro. A moagem na região Nordeste, ao contrário, terá alta de 3,4%.
A queda da produção dos canaviais da região Centro-Sul é a primeira dos últimos sete anos e será reforçada pelo alto índice de renovações de lavoura, já que o excesso de chuva prejudicou demais as soqueiras. “Ainda teremos uma renovação de canaviais na ordem de 19%, diferentemente do que ocorreu nas safras anteriores”, diz Plínio Nastari, CEO da Datagro. Com isso, de acordo com Nastari, deverá haver uma queda na produção da região Centro-Sul, ao mesmo que se repetirá a mesma oferta de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da safra anterior. “Portanto, os preços continuarão pressionados, tanto para o açúcar como para o etanol”, afirma.
Segundo Nastari, a moagem total da região Centro-Sul em 2011/12 será de 550 milhões de toneladas, com uma produção de 35,1 milhões de toneladas de açúcar e 25,3 bilhões de litros de etanol. A moagem da cana da região Nordeste será de 61 milhões de toneladas. “Continuaremos a priorizar a produção açucareira, o que promoverá naturalmente um equilíbrio no preço do etanol, que deve girar em torno de R$ 0,85/litro (VOU CONFIRMAR) sem impostos. Ele admite, no entanto, que as oscilações do mercado possam modificar esse quadro mais adiante, obrigando as usinas a reverter o mix de produção, para equilibrar os preços. Mas o mais provável, na previsão do consultor, é que em 2011 a sazonalidade de preços diminua entre a safra e a entressafra. “Poderemos ter o maior valor médio para o etanol dos últimos 30 anos”, afirma.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
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