segunda-feira, 4 de abril de 2011

A super batata indiana

Indianos conseguem obter uma batata geneticamente modificada com teores mais elevados de proteínas e produtividade recorde

Viviane Taguchi

A biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de produtos agrícolas mais ricos em teores nutricionais e mais rentáveis para os produtores rurais agora mira seus holofotes para a Índia. Em outubro, cientistas do Central Potato Research Institute, órgão ligado ao Indian Council of Agriculture Research, localizado em Shimla, Himachal Pradesh, apresentaram ao mundo um produto inédito, cujos resultados são perseguidos com afinco há sete anos: a super batata. Trata-se do desenvolvimento de uma batata geneticamente modificada com o genoma do amaranto, um grão tropical com características semelhantes a uma mistura de arroz e feijão e teores protéicos acima do convencional. “Não se trata de um produto de tamanho gigantesco ou formas anormais, mas sim de um tubérculo cujas propriedades e produtividade vão além dos parâmetros dos cultivos convencionais”, avisa Subra Chakraborty, pesquisadora que conduziu os estudos. Subra destaca, além dos resultados numéricos e percentuais do estudo, a sua importância como alternativa para o combate à fome em regiões específicas da Índia e China.

Testes realizados com a super batata apontaram que o produto geneticamente modificado contém 60% a mais de proteínas por grama de batata quando comparado a uma batata tradicional. Para se ter uma ideia do que isso representa, uma unidade convencional de 150 gramas conteria três gramas de proteínas enquanto na batata geneticamente modificada, seriam 4,8 gramas. Isso representa 10% do que é recomendado para o consumo humano diário, segundo a Organização Mundial de Saúde, OMC. Mas Subra diz que os benefícios do produto também podem trazer ganhos diretos aos produtores rurais. “Os testes em campo mostraram que a produtividade rural teve um aumento de 15% a 25% a mais de batatas por hectare”, diz ela. Em Vargem Grande do Sul, município paulista responsável por 90% da safra de batatas nacionais, a produtividade gira em torno de 36 toneladas por hectare. Para se chegar a este índice, os produtores precisam importar 2,7 milhões de toneladas de sementes convencionais ao ano, segundo a Associação Brasileira da Batata.

A super batata indiana ainda vai demorar para chegar ao mercado. Testes de biossegurança estão sendo realizados há cinco anos, em laboratórios e em campo, e a planta não apresentou indícios de inviabilidade, como por exemplo, potencial alergênico, mas a comercialização requer padronização, o que demanda tempo. “A comercialização de qualquer produto elaborado a partir da biotecnologia e da bionanotecnologia obedecem a regras padronizadas internacionalmente”, destaca o pesquisador Luciano Paulino Silva, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. No Brasil, a Embrapa Clima Temperado lançou variedades diferentes de batata destinadas ao mercado de mesa, mas são espécies melhoradas e não geneticamente modificadas. “São variedades resistentes às piores doenças da cultura, com produtividade melhorada”, explica o pesquisador Arione da Silva Pereira. “Mas a produtividade da batata indiana é surpreendente”, finaliza.


Dinheiro Rural - novembro de 2010

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