segunda-feira, 4 de abril de 2011

Encomenda para você

Como produtores rurais conseguem utilizar os serviços dos Correios para agregar valor ao produto e driblar os gargalos de logística

Viviane Taguchi

Certa manhã, um fazendeiro descobriu que a sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa e mostrou-o à mulher: “Veja, estamos ricos”. O fazendeiro levou o ovo ao mercado e vendeu-o a um bom preço. No outro dia, a galinha tinha posto mais um ovo de ouro e de novo, o fazendeiro foi ao mercado e vendeu o ovo a um preço ainda melhor. E assim aconteceu durante muitos e muitos dias. A fábula da galinha dos ovos de ouro faz parte do imaginário infantil de muitas gerações. No entanto, em Porto Ferreira, cidade distante 220 quilômetros de São Paulo, um produtor rural conseguiu transformar este conto em parte de sua rotina diária de negócios. Mário Salviatto pode ser considerado o fazendeiro dos ovos de ouro. Com ajuda da internet e dos Correios, ele transformou uma dúzia de ovos de galinha de R$ 3,50 em uma dúzia de ovos de R$ 18. Mas diferentemente daquele fazendeiro da fábula, que matou a galinha acreditando que dentro dela havia um tesouro, Salviatto incrementou o negócio e multiplicou os lucros, driblando um dos maiores problemas do agronegócio: a logística. “Eu sempre gostei de aves, sempre usei a internet e sempre recebi encomendas pelos Correios com segurança. Então pensei: porquê não?”, diz o produtor, que há quatro anos começou vender ovos galados pela internet e a despacha-los pelos Correios.
Com a nova forma de comercialização o agricultor conseguiu agregar valor aos ovos e à sua criação de galinhas exóticas. “Não são espécies encontradas facilmente em qualquer região. Por isso, o interesse foi grande por parte de produtores que querem ter estas galinhas”, explica. Para despachar a produção, Salviatto embala os ovos um a um em plástico bolha e os acondiciona em uma caixa de isopor, forrada com serragem e jornal. “Raramente temos problemas com quebras. Em quatro anos, se 10 ovos se quebraram, foi muito”. Uma dúzia de ovos enviada para um local distante pode chegar a custar R$ 100 para o comprador, que paga o frete e a embalagem. Salviatto já vendeu de uma só vez 40 dúzias para um criador paulista e duas dúzias para um criador indígena. “Quando ele me passou o endereço eu achei esquisito, pois era uma tribo de índios”. O único problema que Salviatto enfrenta para despachar a produção pelos Correios é o aparelho de Raio-X, que pode inviabilizar o desenvolvimento do embrião na choca. “O embrião corre risco, mas no geral os resultados são satisfatórios”.

Assim como o avicultor, a CRV Lagoa da Serra, tradicional empresa de genética bovina, de Sertãozinho, também no interior paulista, utiliza o serviço dos Correios para transportar sêmen de boi. Segundo Gerson Sanches, gerente de logística, 90% das remessas de sêmen são enviados em botijões especiais. “Só há problemas quando existem greves ou intempéries climáticas graves”, diz. Ao contrário dos ovos, o sêmen não corre o risco de ser inutilizado ao passar pelo raio-x. “Não há possibilidade de isso acontecer. Para tanto, desenvolvemos o sêmen Express, que é um botijão especialmente elaborado para o transporte pelo Sedex”. Sanches diz que, por ano, 5 mil remessas de sêmen são feitas pelo Sedex. “Eles têm um eficiente sistema de logística, chegam em qualquer lugar. De avião ou de carro, não conseguiríamos”.

DINHEIRO RURAL - JANEIRO/2011

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