A produção sucroalcooleira egípcia, uma das principais atividades agrícolas daquele país, está passando por uma crise econômica e as perdas podem atingir pelo menos 65 mil feddans (unidade agrária do Egito, equivalente a 4200 metros quadrados) plantados com cana-de-açúcar. A crise ameaça principalmente os produtores rurais que plantaram na região do Alto Egito e as principais
causas seriam o alto custo de produção da cultura, como a alta nos preços dos fertilizantes e a escassez de energia elétrica nas principais regiões produtoras.
No Egito, na região de Wadi Al-Naqra, em Aswan, a produção de cana gira em torno de 17 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (1,5 milhão de toneladas de açúcar foram exportadas na safra passada), mas este ano, o país deve colher apenas 11 milhões de toneladas. Após os conflitos políticos ocorridos no país, as regiões produtoras do Alto Egito, que também se destacam pela forte cultura do trigo, vem sofrendo cortes de energia, o que impossibilita o uso de equipamentos de irrigação.
De acordo com o produtor rural el-Daba'wi Shehata, porta-voz dos agricultores de Manar, está faltando energia na região porque pelo menos 60 transformadores elétricos foram roubados das aldeias agrícolas. "Nós reclamamos para a empresa de distribuição de eletricidade e nos disseram que isso era responsabilidade da Companhia de Eletrificação Rural, que nos disse para procurar a empresa de distribuição de eletricidade. Ou seja, a agricultura está vivendo na escuridão", disse o produtor ao jornal The Egyptian Gazette. Ibrahim el-Folli, que também é fazendeiro na região afirmou à imprensa que os agricultores até assumiriam o pagamento dos equipamentos de energia. "Mas eles ignoraram nossos pedidos", disse el-Folli.
Pressão As perdas na safra egípcia podem fazer com que o preço do açúcar suba ainda mais no mercado internacional e a pressão para que o Brasil aumente as exportações fica cada vez maior. A commodity vem sofrendo altas constantes desde o ano de 2009, quando a Índia, um dos principais países produtores de açúcar, sofreu uma drástica redução na sua safra, em decorrência de fatores climáticos.
O Brasil se beneficiou do momento e ocupou a liderança nas exportações de açúcar. Segundo dados da Datagro, de toda a cana colhida em 2010/2011 (580 milhões de toneladas), 30,6% foram destinados à produção de açúcar para exportação e apenas 15% para o consumo interno. O consultor Plínio Nastari, diretor-presidente da Datagro, diz que a produção açucareira
brasileira vai continuar em alta, devido aos bons preços do mercado internacional, mas o Brasil está atingindo o seu limite. "Estamos próximos do limite da fabricação de açúcar. Aumentar a produtividade, expandir a área agrícola para produzirmos mais não é uma urgência ligada apenas ao etanol, mas a toda a cadeia", afirma.
A Cosan, maior produtora nacional de açúcar e dona das marcas Da Barra e União, está trabalhando neste limite. "Tudo o que é produzido chega ao Porto de Santos e imediatamente segue para o embarque nos navios. Não há estoques nos armazéns", afirmou Júlio Fontana Neto, presidente da Rumo Logística, subsidiária da Cosan. "É um bom momento e tudo indica que vai continuar sendo".
quarta-feira, 6 de julho de 2011
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