segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os hectares de Tóquio

Edifícios comerciais, telhados e alpendres urbanos tornam-se a principal alternativa para o cultivo de hortaliças, legumes e frutas em uma cidade que não tem mais áreas verdes

Viviane Taguchi

Três metros quadrados já são suficientes para uma lavoura produtiva. Sim, em Tóquio, a tecnológica capital do Japão, isso não somente é possível como virou moda. Sem mais espaços verdes disponíveis para o cultivo de alimentos, as fazendas urbanas se proliferam com rapidez. São estufas verticais, montadas como prateleiras, e imbuídas de tecnologias avançadas que permitem o cultivo de hortaliças, frutas, grãos e leguminosas em áreas limitadas e até inusitadas como os telhados das casas, varandas de apartamentos, escritórios e até andares inteiros de prédios comerciais. Nos supermercados das maiores cidades, é possível alugar um kit-cultivo ou até mesmo comprar um desses e levar para casa. Mas até agora, a iniciativa mais ousada foi da empresa de recursos humanos Pasona, que criou uma fazenda urbana de 1000 metros quadrados, em um andar inteiro de seu edifício, o Otemachi Nomura Building, no centro de Tóquio, e está conseguindo colher até arroz em quantidade suficiente para abastecer o seu refeitório. Anos atrás, o andar em que foi instalada era o cofre de um banco e hoje, quem cuida da fazenda são os próprios funcionários, que acreditam que lidar com a terra acaba com o stress do dia-a-dia.
A fazenda urbana, que ganhou o nome de PasonaO2, foi criada em 2005 para servir de sala de aula para futuros fazendeiros, mas no ano passado, virou departamento da empresa, tamanho o interesse dos funcionários. Frutas, verduras e leguminosas são produzidas sob lâmpadas especialmente desenvolvidas e controladas por computador, enquanto o sistema de irrigação funciona em circuito fechado para evitar desperdícios. No cultivo, não é utilizado qualquer tipo de agrotóxico ou química, a PasonaO2 é uma genuína lavoura orgânica high-tech, que recebe apenas sprays de dióxido de carbono e fertilizantes naturais. A safra de arroz, berinjela, tomate e pimenta é escoada nos próprios refeitórios da empresa, e os funcionários garantem que sabor e aroma não são alterados.
A falta de mão-de-obra no campo, no Japão, é um problema social. Com poucas áreas verdes, o país sofre com a falta de interesse dos jovens, que querem morar e trabalhar nos grandes centros tecnológicos. Em todo o Japão, existem pelo menos 15 fazendas urbanas que nasceram com o intuito de despertar o interesse dos mais jovens a trabalharem com agricultura. Em grandes centros como Nagoya, Osaka e Kyoto não há fazendas urbanas, mas as vendas de kits de cultivo invadiram os supermercados. As estufas verticalizadas podem ser compradas por 820 euros, cerca de R$ 1800, ou alugadas por 70 euros, R$ 160 ao mês. As fazendinhas mais pedidas são as de alface, morango e tomate.


Dinheiro Rural Janeiro/2011

A volta da bucha

Supervalorizada no mercado, a bucha vegetal volta às prateleiras com o status de produto agrícola ecologicamente correto e venerado pela indústria

Viviane Taguchi

Em Bonfim, cidadela a 40 km de Belo Horizonte (MG), quem não planta bucha, a transforma em arte ou em dinheiro. O município ostenta o título de Capital Nacional da Bucha e virou expoente da nova realidade do agronegócio mineiro: a diversificação sustentável da economia rural e o redescobrimento de um produto da época das vovós, que pegou carona na sustentabilidade, ganhou status de ecologicamente correto, e voltou para o mercado com preços supervalorizados. A bucha vegetal, ou bucha de metro, em sua forma mais tradicional, esponja, está forte no setor de cosméticos e invade o ramo de limpeza doméstica. Na indústria automotiva, substituiu a espuma sintética dos revestimentos de bancos de carros e aviões, e na construção civil, tornou-se material de isolamento acústico. As lavouras, que se concentravam apenas na região de Bonfim, se espalharam pela Zona da Mata, onde o cultivo tomou o lugar do milho em ritmo acelerado. “Constatamos um crescimento de 15% em relação ao ano passado”, diz Georgeton Silveira, coordenador técnico da Empresa de Assistência Técnica e Expansão Rural de Minas Gerais, Emater/MG. “É um cultivo que se adapta muito bem na região e tem grande demanda no mercado, visando a utilização de produtos sustentáveis em vários segmentos industriais”. Segundo o Emater, os itens que atraem os produtores são o preço do produto ante o custo de produção, R$ 35/dúzia a venda para R$ 10/dúzia de custo, e a produtividade, que gira em torno de 1000 a 1200 dúzias/hectare.
Quem começou a espalhar as lavouras de bucha pela Zona da Mata foi Sylvio Lanna. Há 12 anos, ele herdou 90 hectares de terras da família em Ponte Nova e decidiu tornar-se empreendedor rural. “Eu não tinha ideia do que fazer com aquelas terras e disseram que a bucha era rentável, que se adaptaria bem ao clima e que dava igual chuchu na cerca”, brinca. “O cultivo da bucha tem um papel fundamental na questão ambiental e reflete diretamente na economia”. Sua intenção é formar um novo pólo produtivo na região. O trabalho começou com a distribuição de sementes aos vizinhos e depois, para fazendeiros do Estado inteiro. Fora de Minas, ele vende o quilo da semente a R$ 100. “A bucha vegetal brasileira é um produto que tem demanda mundial”.
Apesar de sua produção atender a indústria cosmética, o foco de Lanna é o setor de limpeza doméstica, segmento que ele considera muito carente de soluções sustentáveis. “O momento é crucial para este setor, que precisa de alternativas sustentáveis para substituir as esponjas sintéticas”, alerta o agricultor. Além da propriedade particular, Lanna criou a lavoura de cotas Buchal da Lagoa, em Urucânia, em uma parceria com 11 empresários. “Cada sócio aportou R$ 2 mil para estruturar o parreiral, que está na primeira safra. Nosso objetivo é promover um rodízio para colhermos bucha o ano todo e atender a demanda crescente”, explica. De início, o Buchal da Lagoa conta com 15 hectares, mas a ideia é expandir para 25 hectares. “Queremos 25 safras anuais”.
O ressurgimento da bucha começou há quatro anos e ganhou fôlego mais recentemente. Quem entrou no negócio para abastecer o ramo de artesanato, rapidamente se viu obrigado a aumentar a produção para atender outros setores. Foi o caso da empresária Denilda Maria de Oliveira, diretora da Associação de Produtores Mineiros de Bicha Vegetal, de Bonfim. “Aprendemos a fazer artesanato, que na época teve muito sucesso, mas o que ficou para mais de 500 produtores rurais de Bonfim foi o beneficiamento da bucha. Só da minha empresa, saem 1500 dúzias de buchas beneficiadas por mês para o mercado”, diz a empresária. “Por aqui, a bucha é disputada demais”. Só para constar, cada unidade de bucha de metro rende de quatro a cinco esponjas, vendidas, em média, a R$ 3.


Dinheiro Rural - Dezembro de 2010
Você, editor, para atingir o seu alvo, use um repórter como laranja!

A boiada atropelou Ana Júlia

A governadora desgovernada. Com este apelido, Ana Júlia Carepa deixa o governo do Pará sob uma salva de palmas do setor produtivo rural

Viviane Taguchi

Um governo de desmandos, trágico e desastroso, que chega ao fim como um alívio para o agronegócio e com um brinde dos ruralistas. O cangaço institucionalizado. Assim ficou conhecida a atuação da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, do PT, aos olhos do setor. O pacote de desserviços da governadora incluiu o não cumprimento de mais de 300 mandados de reintegrações de posse, episódios de vandalismo e violência explícita do Movimento dos Sem Terra supostamente acobertados ou incentivados por ela e ações que amordaçaram as vozes representativas do campo. Ana Júlia tornou-se, pela opinião pública, a pior governadora do País, e inimiga número um do agronegócio. Recebeu as alcunhas ‘Governadora desgovernada’, ‘A bruxa do 71 do Pará’ e ‘A terrorista’. Tentou a reeleição e perdeu no segundo turno para Simão Jatene, do PSDB, na maioria dos municípios administrados pelo PT no Estado, inclusive em Santarém e Paraupebas, que estão entre os 10 maiores colégios eleitorais. Jatene assume o Executivo com a bomba nas mãos, mas o apoio da Confederação Nacional da Agricultura, CNA, e a Federação de Agricultura e Pecuária do Pará, Faepa, que pediram a intervenção federal no Estado, e a União Democrática Ruralista, a UDR.
A onda descontrolada de invasões de terras ocorridas nos últimos anos deflagrou a guerra entre o governo e os ruralistas justamente no Estado que tem o maior rebanho de gado de corte do País, com 20 milhões de cabeças, e as maiores reservas minerais e de florestas intactas e do Mundo. Mas Ana Júlia não deu muita bola, conforme dizem os produtores. “O Judiciário ordenou a desocupação das propriedades, mas como prevê a legislação, o governo precisa dar o respaldo policial para que os mandados fossem cumpridos. Não houve este apoio do governo em nenhum momento e a situação chegou a beira do caos, talvez até incentivada por ela [Ana Júlia], que compactua com essa ideologia criminosa e defende as invasões”, lembra Luis Antônio Nabhan Garcia, presidente nacional da UDR. “Foi um desserviço desta senhora, que se considera acima da lei”. Em março de 2009, a senadora Kátia Abreu, DEM-TO, presidente da CNA, e Carlos Xavier, presidente da Faepa, protocolaram oito pedidos de intervenção federal no Tribunal de Justiça do Pará, que acatou os pedidos e encaminhou o caso para o Supremo Tribunal Federal, então presidido pelo ministro Gilmar Mendes, que aceitou apreciar o caso. “O Executivo transformou-se no último juiz das invasões de terras. Quem decide se as áreas invadidas devem ser ou não desocupadas é a governadora, autoridade que se substitui ao Judiciário, julgando em última instância o direito dos produtores rurais”, declarou a senadora. “Ela criou um obstáculo para o agronegócio. Os investidores sumiram”, completa Xavier.
Lázaro de Deus é fazendeiro na região de Paraupebas, o município que abriga a maior reserva mineral do planeta. Ele e os vizinhos de propriedade temem sair de casa com medo das invasões. “O MST não tem critérios, invadem pequenas propriedades, módulos rurais que não são passíveis de invasões. Muitas famílias abandonaram as terras, muitos morreram nos conflitos. Não há controle, não há polícia”, relata o produtor. “Há propriedades invadidas há mais de três anos, com mandados de reintegração já expedidos e nunca houve a desocupação. O que os produtores podem esperar de uma governadora que em seu primeiro dia de trabalho foi despachar na curva do S, em Eldorado dos Carajás?”. O produtor comemora a saída de Ana Júlia e acredita que os problemas paraenses estão perto do fim. “Chega de incoerência, o Pará precisa voltar a ser o que era”. Segundo a Faepa, existem no Pará mais de 1500 propriedades invadidas, cerca de 600 pedidos de reintegração e mais de 300 já deferidos e não cumpridos.
A saída da governadora é vista como “o resgate da credibilidade no Pará”, conforme afirma Xavier. A sucessão no governo não impede que o STF aplique a intervenção federal. Como a ação é contra o governo e não contra a pessoa da governadora, se os mandados de reintegração continuarem não sendo cumpridos, a intervenção pode ocorrer. “A intervenção é sempre uma medida extrema, é a exceção e não a regra. Temos de analisar com cautela o caso do Pará e garantir que a normal legal seja cumprida”, disse o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, à DINHEIRO RURAL. Mas os produtores não acreditam que a intervenção acontecerá. “O sucessor tem uma visão voltada para a produção e se comprometeu a resgatar a credibilidade com os investidores do agronegócio”, diz Xavier. Em nota, o governo afirmou que as reintegrações de posse estão sendo cumpridas desde abril deste ano, conforme planejamento pactuado com o Judiciário. “Mas ainda existem mais de 300 mandados não cumpridos”, destaca Garcia. “Houve uma movimentação quando o escândalo tornou-se nacional, mas a situação continua caótica”.
O eleito Jatene assume o governo com um calhamaço de reivindicações do setor, elaboradas pela Faepa durante a 34º Encontro Ruralista do Pará, realizado em Belém no final de novembro. A prioridade é o setor fundiário, e sobretudo o cumprimento do direito de propriedade e a aceleração das reintegrações de posse, mas também a implementação do Código Ambiental Estadual e questões referentes a atualização do Código Florestal Brasileiro. “O documento foi assinado no dia 24 de novembro e já está em suas mãos. Para o agronegócio paraense, é o começo de uma nova era”, finaliza Xavier.

Dinheiro Rural - Dezembro/2010

Macaco Japonês



Outro dia encontrei por aí um macaquinho japonês que fala sem parar. À noite, o bichinho geralmente está rouco e cansado, mas mesmo assim não sossega. A espécie gosta de Mc Lanche Feliz, mas é melhor não alimenta-lo sempre com isso. Quando a fome bate, ele come arroz e feijão mesmo.

Malucas do bem

Para aproveitar uma viagem paga, nos embrenhamos no Ceará rumo ao Piaui. Em novembro, passamos frio na serra cearense, é verdade. Cheguei numa cidade parecida com Campos do Jordão, onde se planta rosa para exportação. Quem planta é a Gabriela, maluquinha super gente boa, que nos hospedou na fazenda do pai dela. Ela e a Paula, irmã dela e o namorado dela, passaram o dia andando conosco entre as roseiras, enchi o pé de espinho, mas foi bem legal. Passei a gostar de rosas...

Os jardins do Ceará

Com investimentos de R$ 12 milhões, empresária gaúcha transforma a Serra da Ibiapaba, na fronteira do Ceará e Piauí, em um dos mais importantes pólos de floricultura do Mundo

Viviane Taguchi, de São Benedito (CE)

Subir a Serra da Ibiapaba não é tarefa da mais fáceis. Curvas sinuosas chacoalham os carros e os paus-de-arara pra lá e pra cá, colocando os passageiros em perigo entre abismos profundos, mas também mostrando-lhes paisagens de um Ceará verde e cheio de vida brotando da terra. Lá em cima, as temperaturas são altas durante o dia e o entardecer chega com ventos gelados. No meio da montanha está Viçosa, uma cidadezinha cheia de casas coloridas, coladas umas às outras. O município é passagem obrigatória para quem está no litoral e quer chegar a São Benedito, o ponto mais alto da região, a 900 metros do nível do mar. Há 12 anos, quem percorreu este caminho foram os Selbach, gaúchos de São Leopoldo que migraram para o Ceará na década de 80 e traçaram no nordeste uma história de sucesso que desabrocha milhões de reais na economia todos os anos. O trabalho dos Selbach foi determinante para que a Serra da Ibiapaba se transformasse em um dos quatro pólos produtores de flores do Estado, capaz de produzir as mais belas rosas do mundo, e inserisse o Brasil na rota do agronegócio mundial da floricultura. Criados para exportação, os jardins do Ceará, composto pelos pólos Guaramiranga, Cariri, Ibiapaba e Metropolitano, devem movimentar este ano US$ 5,5 milhões com as vendas ao exterior, mas no momento é o mercado interno que está sendo beneficiado com esta indústria.

Gabriela Selbach cresceu entre as roseiras. Ainda criança, acompanhava o pai, executivo do setor calçadista e floricultor de nascimento, Paulo Roque Selbach, em sua busca pela rosa perfeita. A paixão virou negócio no final dos anos 90 e hoje, Gabriela é seu braço direito e dirige a CeaRosa, a fazenda de 150 hectares fincada no alto da serra e que produz diariamente 24 mil rosas de alto padrão em 12 hectares de estufas climatizadas. “O objetivo inicial era produzir rosas para exportação, mas o mercado movimentou-se de tal forma que hoje é no mercado interno que está nossa demanda”, explica Gabriela, com um sotaque que mescla o gauchês e o ceares. “Apesar disso, toda a nossa produção continua seguindo o padrão internacional e não vamos mudar isso”. Na CeaRosa, os Selbach já investiram R$ 12 milhões. As exportações cessaram em 2008 com a crise mundial e quando algumas linhas aéreas diárias entre Fortaleza e Europa foram suspensas para combater o turismo sexual, e Gabriela, então, começou a fazer vendas diretas e internas. “O momento não era bom, então decidi copiar o sistema de comercialização de flores na Alemanha: passei a mão no telefone e comecei a vender as rosas”. Durante muito tempo, ela ligava, vendia, entregava os pacotes e depois de uma semana, ligava novamente para saber se o cliente estava satisfeito. Isto lhe rendeu fidelidade e credibilidade no mercado. Atualmente, suas rosas abastecem todo o nordeste, mas os maiores carregamentos são enviados, via aérea, à Brasília, Manaus, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Por dia, são comercializados entre 800 a 1000 pacotes de 20 botões, o padrão internacional. São Paulo, o maior produto nacional de flores, está fora de seus planos. O trabalho que Gabriela fazia sozinha agora conta com 15 pessoas, em Fortaleza, e mais 180 para a produção em São Benedito, entre eles o agrônomo considerado o maior especialista do mundo no setor, o colombiano Julio Cantillo Simanca. “Ele é o pai coruja de todas estas rosas”, resume Selbach.

Com a mudança no foco dos negócios, a CeaRosa cresceu. Em 2009, faturou R$ 1,9 milhão
e neste ano, o faturamento deve ser 25% superior. “Ainda que o brasileiro não tenha o hábito de consumir flores, o mercado está se abrindo”, diz Simanca, responsável pela formação dos quatro pólos cearenses. “Nosso foco está aqui agora, mas não significa que não iremos exportar quando o momento for propício e o dólar mais valorizado. Enquanto isso, continuamos a buscar a perfeição nas rosas”, emenda. Segundo Gilson Gondim, presidente da Câmara Setorial de Flores do Ceará, entidade que reúne cerca de 280 produtores de flores, a média de consumo do produto no Brasil é de US$ 5/habitante/ano, enquanto em países como a Holanda, é de US$ 100/habitante/ano. “Os pólos produtores de flores cearenses foram criados visando o mercado externo e vamos continuar seguindo este foco, mas com o desenvolvimento do setor, o mercado interno despertou de forma positiva e está absorvendo a produção”, diz ele. “Estamos vivendo um momento muito bom e aos poucos, solucionando os problemas de logística”. De acordo com a Câmara Setorial, Holanda e Estados Unidos são os países mais interessados em comprar as flores nacionais.

Produzir flores no Brasil ainda é caro. Além do investimento em estufas climatizadas, que é de no mínimo R$ 350 mil, para ter o direito de comercializar as variedades de rosas, desenvolvidas por centenárias empresas de pesquisa européias, o produtor desembolsa US$ 1 por planta. “Os briders são os responsáveis por desenvolver as variedades que temos no mercado e estão protegidos pela Lei dos Cultivares”, explica Simanca, que testa as novas variedades por dois anos antes de dar o aval para os Selbach introduzi-las no mercado. Segundo ele, em um hectare pode-se cultivar 65 mil plantas. Cada planta produz, em média, 20 rosas de alta qualidade por ano e a cada 30 canteiros, um funcionário é necessário para cuidar das flores, manualmente. “Mas o resultado é uma rosa grande, bonita e com maior durabilidade”. Todos estes cuidados eram um problema para os Selbach no início do negócio. “Só conseguíamos funcionárias mulheres. Os homens da região acreditavam que se fossem trabalhar com flores, ficariam afeminados. Hoje, isto mudou e há mais homens na linha de produção”, lembra Gabriela. “Mesmo com tantos itens que pesam no preço, o consumo interno aumentou”. Para atender a demanda, ela tem que manter um estoque mínimo de 4 mil pacotes/semana. “Existem alguns períodos que faltam rosas no mercado interno como o Dia das Mães, Dia dos Namorados, Natal e o Dia Internacional da Mulher”, revela Gabriela. No Brasil, a demanda maior é do setor de decoração e posteriormente, o de distribuição e floricultura.


Dinheiro Rural - Dezembro 2010