Vinícolas do Rio Grande do Sul encontram uma brecha no mercado e investem no setor de embalagens longa vida para vinhos finos
Viviane Taguchi, de Farroupilha (RS)
Um mercado diferente e ainda desconhecido está se abrindo para os vitivinicultores brasileiros, que há cinco anos iniciaram o envasamento de vinhos finos em embalagens longa vida, aqui chamadas de Bag in Box, BiB. A tendência foge das tradições do setor agro vinícola brasileiro, sobretudo no Rio Grande do Sul, região intrinsecamente ligada à cultura italiana, e fez alguns investidores torcerem o nariz para o próprio investimento. O retorno comercial apresentado nestes primeiros anos, no entanto, teve um apelo maior que os costumes culturais, com os números de produção crescendo mais de 1000% nos últimos 12 meses, convencendo até os empresários mais resistentes a partirem para a modernização do processo, investindo em tecnologias italianas e norte-americanas para envasar o produto final obtido das uvas viníferas, híbridas, americanas e o suco, sem deixar de priorizar a qualidade. Com um investimento de R$ 650 mil em uma máquina específica para o envase automático de BiB, a Vinícola Perini é quem lidera, hoje, este mercado no Vale dos Vinhedos. A meta da empresa é encerrar o ano com a produção de 400 mil caixas de vinhos e faturar algo em torno de R$ 11,2 milhões somente neste segmento. Juntas, as 56 vinícolas que investiram na tendência devem faturar R$ 60 milhões em 2010 com a venda das caixas, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho, Ibravin. Mas o próprio Instituto informou que há a possibilidade de se chegar a R$ 100 milhões se a demanda continuar crescendo.
Benildo Perini, diretor-presidente da empresa, e o gerente comercial Franco Perini, que possuem unidades produtoras em Farroupilha e Garibaldi, foram aos Estados Unidos negociar com a Scholler Packaging, empresa norte-americana de embalagens, responsável por 70% dos Bag in Box sul-americanos, a compra de uma máquina italiana para envase automático, a primeira da categoria a chegar ao Brasil. “Estamos investindo no envase de vinhos Bag in Box para aumentar em 30% a nossa participação neste mercado, que está apenas engatinhando no Brasil, mas já é tradicional em países como a Austrália, Suécia, Noruega e Estados Unidos”, diz Perini. Atualmente, cerca de 2 milhões de litros de vinhos em bags são produzidos no Brasil. Em 2009, a produção total de vinhos foi de 462 milhões de litros, entre os vinhos finos, das uvas viníferas, de qualidade superior, e vinhos de mesa, de uvas americanas e híbridas. Julio Fante, presidente do Ibravin, aposta no crescimento deste mercado nos próximos anos por vários fatores. “Pela praticidade e a segurança que o consumidor tem, além da economia para as vinícolas e o preço final do produto”, avalia. Segundo ele, o Bag in Box, que é um saco de poliéster flexível dentro de uma caixa longa vida e com uma saída dosadora, chega a ser 30% mais barata que a garrafa e consegue manter as qualidades do produto depois de aberto por até dois meses, sem alteração de sabores e aromas. O preço médio de uma caixa de três litros é R$ 30, enquanto o da caixa de cinco litros, R$ 45. “O consumidor está percebendo que ele pode comprar uma caixa de cinco litros de um vinho superior pelo mesmo preço de um garrafão de vinho de mesa”, avalia Franco Perini.
Estatísticas do Ibravin apontam que hoje, apenas 1% dos vinhos brasileiros são envasados com a tecnologia de BiB, enquanto na Austrália, o sistema atinge 50% da produção, 40% na Noruega e Suécia, e 20% nos Estados Unidos. De 2008 para 2009, o crescimento da produção foi gritante. “Em 2008, foram comercializados 85,29 mil litros de vinho em bags, em 2009 foram 976 mil litros e nos primeiros seis meses deste ano, foram 926 mil litros”, afirma Fante.
Roberta Boscato, da Boscato Vinhos Finos, vinícola instalada em Nova Pádua, também no Vale dos Vinhedos, é do time que não gosta muito da novidade. “Eu acho que perde um pouco o charme, degustar um vinho é um ritual. Abrir a garrafa tem o seu valor, mas se o consumidor quer isso, nós temos que oferecer, mas temos o cuidado de não deixar a qualidade cair só porque a bebida está na caixa”. Pioneira no uso desta embalagem, a Casa Valduga, empresa localizada em Bento Gonçalves, acredita que a novidade é uma forma de democratizar e popularizar a bebida. “Os Bag in Box vieram para diversificar o consumo de vinhos no Brasil. Ainda haverá espaço para quem já aprecia um bom vinho na garrafa, mas os bags, sem dúvida, abrem novos mercados e conquistam novos consumidores”, avalia João Valduga, diretor da empresa. Na esteira destas empresas, a Miolo foi além e oferece uma super bag in Box. “A caixa tem um dispenser especial para armazenar três tipos de vinhos, o tinto, o rose e o branco, cada um com uma temperatura ideal”, explica Alexandre Miolo, diretor comercial da vinícola. “Nossos melhores vinhos já estão sendo comercializados em bags e garanto que a qualidade é a mesma dos vinhos da garrafa”, pondera Miolo. “O mercado está aí, resta a nós oferecer um bom produto”.
Dinheiro Rural -0utubro de 2010
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Lições a não aprender
Se teve uma coisa que eu aprendi ao longo destes 11 anos de trabalhos em redação é não pautar uma matéria em razão de uma foto legal. Principalmente quando SÒ a foto é legal.
Um brinde às origens
Produtores brasileiros seguem os passos dos franceses para agregar valor aos produtos com características diferenciadas
Viviane Taguchi
Os vitivinicultores que impõe delicadeza e eficiência nos vinhedos de Épernay, região de Champagne, na França, festejam o fim do verão com a colheita de uvas Chaddornay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Estas frutas são as responsáveis pela fabricação de uma das mais nobres bebidas que o mundo já degustou, o original champagne. Os recursos naturais da região contribuíram para que estes vinhos e espumantes ganhassem um valor destacado, original e único no mercado e na preferência de apreciadores. A atriz Scarlet Johansson, embaixadora da Moët et Chandon, uma das marcas mais tradicionais do mundo, é uma das fãs do champagne. Usando luvas de manejo agrícola e empenhando uma tesoura de poda, a atriz embrenhou-se no terroir do Château de Saran, propriedade de 200 hectares da empresa, para abrir oficialmente a colheita de uvas, e apreciar o sabor dos espumantes de Champagne, que desde 1920 carregam o Appellation d’origine Contrôlée ou Selo de Denominação de Origem Controlada, DOC. As singularidades naturais, culturais, e tecnológicas dos vinhedos de Épernay que encantaram Johansson, também deram aos vinhos um atestado de originalidade que não pode ser reproduzido por bebida nenhuma, em qualquer outro lugar do mundo. “Estou maravilhada com a região. O champagne produzido aqui realmente tem o seu diferencial e por isso é considerado o melhor do mundo”, dizia a atriz. “Não há como pensar na França sem lembrar da excelência do champagne”.
A concessão do Selo de Denominação de Origem, DO, é uma espécie de prêmio aos produtos agrícolas que alcançam padrões diferenciados, vinculados com a região geográfica em que estão. “Na Europa, existe a antiga tradição de agregar valor aos produtos locais. Isso pode ser visto com o vinho do Porto, os espumantes de Champagne, o presunto de Parma, e tantos outros”, explica a coordenadora de indicações geográficas do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Inpi, Maria Alice Calliari. “O Brasil começa agora a seguir os passos desta tradição”, diz ela, se referindo à concessão do primeiro Selo de Denominação de Origem concedido ao arroz produzido no Litoral Norte Gaúcho no dia 1º de setembro deste ano. Segundo o Instituto, existem sete produtos brasileiros possuidores do selo de Indicação de Procedência, IP, que pleiteiam junto ao Inpi, a conquista do DO. “O IP refere-se à região em que é produzido o produto, e o DO o local específico de produção”. Entre estes itens, contam os vinhos de Pinto Bandeira (RS), o café do Cerrado Mineiro, os vinhos do Vale dos Vinhedos (RS), a carne bovina dos Pampas Gaúchos, a cachaça de Paraty (RJ), mangas e uvas de mesa do Vale do São Francisco (BA/PE) e o couro acabado do Vale dos Sinos (RS).
O processo de conquista do selo DO no Brasil é trabalhoso e demorado. “Existem vários procedimentos de configuração que são trabalhados para a conquista do selo de denominação de origem. Batalhamos por isso durante cinco anos, em intensas demonstrações de que o nosso produto tinha este diferencial”, conta Clóvis Terra, presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho, Aproarroz. O arroz do litoral norte gaúcho conquistou o DO porque o instituto confirmou que ele se diferencia em função do local em que é produzido, que neste caso, compreende a faixa de terra localizada entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. “As características da região provocam condições climáticas e ambientais peculiares, o que faz com que os grãos se formem de maneira particular. Como consequência, o arroz apresenta rendimento superior”, frisa Terra.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
Viviane Taguchi
Os vitivinicultores que impõe delicadeza e eficiência nos vinhedos de Épernay, região de Champagne, na França, festejam o fim do verão com a colheita de uvas Chaddornay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Estas frutas são as responsáveis pela fabricação de uma das mais nobres bebidas que o mundo já degustou, o original champagne. Os recursos naturais da região contribuíram para que estes vinhos e espumantes ganhassem um valor destacado, original e único no mercado e na preferência de apreciadores. A atriz Scarlet Johansson, embaixadora da Moët et Chandon, uma das marcas mais tradicionais do mundo, é uma das fãs do champagne. Usando luvas de manejo agrícola e empenhando uma tesoura de poda, a atriz embrenhou-se no terroir do Château de Saran, propriedade de 200 hectares da empresa, para abrir oficialmente a colheita de uvas, e apreciar o sabor dos espumantes de Champagne, que desde 1920 carregam o Appellation d’origine Contrôlée ou Selo de Denominação de Origem Controlada, DOC. As singularidades naturais, culturais, e tecnológicas dos vinhedos de Épernay que encantaram Johansson, também deram aos vinhos um atestado de originalidade que não pode ser reproduzido por bebida nenhuma, em qualquer outro lugar do mundo. “Estou maravilhada com a região. O champagne produzido aqui realmente tem o seu diferencial e por isso é considerado o melhor do mundo”, dizia a atriz. “Não há como pensar na França sem lembrar da excelência do champagne”.
A concessão do Selo de Denominação de Origem, DO, é uma espécie de prêmio aos produtos agrícolas que alcançam padrões diferenciados, vinculados com a região geográfica em que estão. “Na Europa, existe a antiga tradição de agregar valor aos produtos locais. Isso pode ser visto com o vinho do Porto, os espumantes de Champagne, o presunto de Parma, e tantos outros”, explica a coordenadora de indicações geográficas do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Inpi, Maria Alice Calliari. “O Brasil começa agora a seguir os passos desta tradição”, diz ela, se referindo à concessão do primeiro Selo de Denominação de Origem concedido ao arroz produzido no Litoral Norte Gaúcho no dia 1º de setembro deste ano. Segundo o Instituto, existem sete produtos brasileiros possuidores do selo de Indicação de Procedência, IP, que pleiteiam junto ao Inpi, a conquista do DO. “O IP refere-se à região em que é produzido o produto, e o DO o local específico de produção”. Entre estes itens, contam os vinhos de Pinto Bandeira (RS), o café do Cerrado Mineiro, os vinhos do Vale dos Vinhedos (RS), a carne bovina dos Pampas Gaúchos, a cachaça de Paraty (RJ), mangas e uvas de mesa do Vale do São Francisco (BA/PE) e o couro acabado do Vale dos Sinos (RS).
O processo de conquista do selo DO no Brasil é trabalhoso e demorado. “Existem vários procedimentos de configuração que são trabalhados para a conquista do selo de denominação de origem. Batalhamos por isso durante cinco anos, em intensas demonstrações de que o nosso produto tinha este diferencial”, conta Clóvis Terra, presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho, Aproarroz. O arroz do litoral norte gaúcho conquistou o DO porque o instituto confirmou que ele se diferencia em função do local em que é produzido, que neste caso, compreende a faixa de terra localizada entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. “As características da região provocam condições climáticas e ambientais peculiares, o que faz com que os grãos se formem de maneira particular. Como consequência, o arroz apresenta rendimento superior”, frisa Terra.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
O campo em duas linhas
Entidades ligadas ao agronegócio se rendem ao Twitter para estreitar a comunicação com seu público, mapear o mercado e mostrar transparência
Viviane Taguchi
Quando o novo presidente da União dos Produtores de Bioenergia, Udop, sentou-se à sua mesa, na sede do escritório em Araçatuba, no interior de São Paulo, sua primeira ação foi ligar o notebook para checar o Twitter. Antenado nas mais modernas das ferramentas de comunicação, trabalho e relacionamento, Celso Torquato Junqueira Franco faz questão de verificar diariamente os comentários deixados por internautas do mundo todo na rede de micro blog. A Udop sempre apostou na tecnologia e no poder de alcance da internet como uma poderosa ferramenta de trabalho para o agronegócio. Foi a empresa pioneira do setor sucroenergético a investir na área e hoje mantém uma equipe exclusiva para abastecer de informações o Twitter, o Facebook, o Orkut e o próprio site da entidade, que tem até uma webtv e estúdio com equipamentos de última geração. “O Twitter trouxe um poder de alcance muito eficiente para divulgarmos as ações do setor como um todo. Recebemos diariamente quase 10 mil acessos de mais de 100 países diferentes”, diz Junqueira, que também investiu na área de comunicação via sites de relacionamento em sua empresa, a usina Pioneiros Bioenergia, de Sud Mennucci (SP). “Encontramos no Twitter mais uma ferramenta de comunicação capaz de atingir nossos propósitos de divulgar ações sustentáveis e eventos realizados neste segmento”.
Na Confederação Nacional de Agricultura, CNA, o Twitter também é visto com bons olhos. Utilizado como ferramenta de trabalho desde 2009, o micro blog serve como um meio de aproximação com o público técnico, que compreende o meio acadêmico, governos, empresas ligadas ao agronegócio, meio ambiente, e até os ferrenhos críticos do setor. “É mais uma ferramenta para que a entidade possa mostrar suas ações com transparência, apresentar os projetos e interagir mais fortemente com o público”, explica Moisés Gomes, superintendente geral da entidade. “O Twitter também nos proporcionou dar continuidade às discussões iniciadas em eventos e debates. Através dele, não deixamos alguns temas morrerem na praia”.
O Twitter da CNA é atualizado várias vezes ao dia, mas segundo Gomes, quem mais ‘pega no pé’ ali é a própria senadora Kátia Abreu, presidente da entidade. “Ela é super atualizada com os temas ligados à eficiência na comunicação. Faz questão de reservar alguns minutos do seu dia para informar-se, trocar mensagens e prestar esclarecimentos ao público via Twitter”, diz ele. “Para a entidade, estas ferramentas de trabalho são essenciais e indispensáveis em um mundo tão moderno. É uma avalanche de informações, em tempo real. Não tem como ficar fora”.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
Viviane Taguchi
Quando o novo presidente da União dos Produtores de Bioenergia, Udop, sentou-se à sua mesa, na sede do escritório em Araçatuba, no interior de São Paulo, sua primeira ação foi ligar o notebook para checar o Twitter. Antenado nas mais modernas das ferramentas de comunicação, trabalho e relacionamento, Celso Torquato Junqueira Franco faz questão de verificar diariamente os comentários deixados por internautas do mundo todo na rede de micro blog. A Udop sempre apostou na tecnologia e no poder de alcance da internet como uma poderosa ferramenta de trabalho para o agronegócio. Foi a empresa pioneira do setor sucroenergético a investir na área e hoje mantém uma equipe exclusiva para abastecer de informações o Twitter, o Facebook, o Orkut e o próprio site da entidade, que tem até uma webtv e estúdio com equipamentos de última geração. “O Twitter trouxe um poder de alcance muito eficiente para divulgarmos as ações do setor como um todo. Recebemos diariamente quase 10 mil acessos de mais de 100 países diferentes”, diz Junqueira, que também investiu na área de comunicação via sites de relacionamento em sua empresa, a usina Pioneiros Bioenergia, de Sud Mennucci (SP). “Encontramos no Twitter mais uma ferramenta de comunicação capaz de atingir nossos propósitos de divulgar ações sustentáveis e eventos realizados neste segmento”.
Na Confederação Nacional de Agricultura, CNA, o Twitter também é visto com bons olhos. Utilizado como ferramenta de trabalho desde 2009, o micro blog serve como um meio de aproximação com o público técnico, que compreende o meio acadêmico, governos, empresas ligadas ao agronegócio, meio ambiente, e até os ferrenhos críticos do setor. “É mais uma ferramenta para que a entidade possa mostrar suas ações com transparência, apresentar os projetos e interagir mais fortemente com o público”, explica Moisés Gomes, superintendente geral da entidade. “O Twitter também nos proporcionou dar continuidade às discussões iniciadas em eventos e debates. Através dele, não deixamos alguns temas morrerem na praia”.
O Twitter da CNA é atualizado várias vezes ao dia, mas segundo Gomes, quem mais ‘pega no pé’ ali é a própria senadora Kátia Abreu, presidente da entidade. “Ela é super atualizada com os temas ligados à eficiência na comunicação. Faz questão de reservar alguns minutos do seu dia para informar-se, trocar mensagens e prestar esclarecimentos ao público via Twitter”, diz ele. “Para a entidade, estas ferramentas de trabalho são essenciais e indispensáveis em um mundo tão moderno. É uma avalanche de informações, em tempo real. Não tem como ficar fora”.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
O campo em duas linhas
Entidades ligadas ao agronegócio se rendem ao Twitter para estreitar a comunicação com seu público, mapear o mercado e mostrar transparência
Viviane Taguchi
Quando o novo presidente da União dos Produtores de Bioenergia, Udop, sentou-se à sua mesa, na sede do escritório em Araçatuba, no interior de São Paulo, sua primeira ação foi ligar o notebook para checar o Twitter. Antenado nas mais modernas das ferramentas de comunicação, trabalho e relacionamento, Celso Torquato Junqueira Franco faz questão de verificar diariamente os comentários deixados por internautas do mundo todo na rede de micro blog. A Udop sempre apostou na tecnologia e no poder de alcance da internet como uma poderosa ferramenta de trabalho para o agronegócio. Foi a empresa pioneira do setor sucroenergético a investir na área e hoje mantém uma equipe exclusiva para abastecer de informações o Twitter, o Facebook, o Orkut e o próprio site da entidade, que tem até uma webtv e estúdio com equipamentos de última geração. “O Twitter trouxe um poder de alcance muito eficiente para divulgarmos as ações do setor como um todo. Recebemos diariamente quase 10 mil acessos de mais de 100 países diferentes”, diz Junqueira, que também investiu na área de comunicação via sites de relacionamento em sua empresa, a usina Pioneiros Bioenergia, de Sud Mennucci (SP). “Encontramos no Twitter mais uma ferramenta de comunicação capaz de atingir nossos propósitos de divulgar ações sustentáveis e eventos realizados neste segmento”.
Na Confederação Nacional de Agricultura, CNA, o Twitter também é visto com bons olhos. Utilizado como ferramenta de trabalho desde 2009, o micro blog serve como um meio de aproximação com o público técnico, que compreende o meio acadêmico, governos, empresas ligadas ao agronegócio, meio ambiente, e até os ferrenhos críticos do setor. “É mais uma ferramenta para que a entidade possa mostrar suas ações com transparência, apresentar os projetos e interagir mais fortemente com o público”, explica Moisés Gomes, superintendente geral da entidade. “O Twitter também nos proporcionou dar continuidade às discussões iniciadas em eventos e debates. Através dele, não deixamos alguns temas morrerem na praia”.
O Twitter da CNA é atualizado várias vezes ao dia, mas segundo Gomes, quem mais ‘pega no pé’ ali é a própria senadora Kátia Abreu, presidente da entidade. “Ela é super atualizada com os temas ligados à eficiência na comunicação. Faz questão de reservar alguns minutos do seu dia para informar-se, trocar mensagens e prestar esclarecimentos ao público via Twitter”, diz ele. “Para a entidade, estas ferramentas de trabalho são essenciais e indispensáveis em um mundo tão moderno. É uma avalanche de informações, em tempo real. Não tem como ficar fora”.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
Viviane Taguchi
Quando o novo presidente da União dos Produtores de Bioenergia, Udop, sentou-se à sua mesa, na sede do escritório em Araçatuba, no interior de São Paulo, sua primeira ação foi ligar o notebook para checar o Twitter. Antenado nas mais modernas das ferramentas de comunicação, trabalho e relacionamento, Celso Torquato Junqueira Franco faz questão de verificar diariamente os comentários deixados por internautas do mundo todo na rede de micro blog. A Udop sempre apostou na tecnologia e no poder de alcance da internet como uma poderosa ferramenta de trabalho para o agronegócio. Foi a empresa pioneira do setor sucroenergético a investir na área e hoje mantém uma equipe exclusiva para abastecer de informações o Twitter, o Facebook, o Orkut e o próprio site da entidade, que tem até uma webtv e estúdio com equipamentos de última geração. “O Twitter trouxe um poder de alcance muito eficiente para divulgarmos as ações do setor como um todo. Recebemos diariamente quase 10 mil acessos de mais de 100 países diferentes”, diz Junqueira, que também investiu na área de comunicação via sites de relacionamento em sua empresa, a usina Pioneiros Bioenergia, de Sud Mennucci (SP). “Encontramos no Twitter mais uma ferramenta de comunicação capaz de atingir nossos propósitos de divulgar ações sustentáveis e eventos realizados neste segmento”.
Na Confederação Nacional de Agricultura, CNA, o Twitter também é visto com bons olhos. Utilizado como ferramenta de trabalho desde 2009, o micro blog serve como um meio de aproximação com o público técnico, que compreende o meio acadêmico, governos, empresas ligadas ao agronegócio, meio ambiente, e até os ferrenhos críticos do setor. “É mais uma ferramenta para que a entidade possa mostrar suas ações com transparência, apresentar os projetos e interagir mais fortemente com o público”, explica Moisés Gomes, superintendente geral da entidade. “O Twitter também nos proporcionou dar continuidade às discussões iniciadas em eventos e debates. Através dele, não deixamos alguns temas morrerem na praia”.
O Twitter da CNA é atualizado várias vezes ao dia, mas segundo Gomes, quem mais ‘pega no pé’ ali é a própria senadora Kátia Abreu, presidente da entidade. “Ela é super atualizada com os temas ligados à eficiência na comunicação. Faz questão de reservar alguns minutos do seu dia para informar-se, trocar mensagens e prestar esclarecimentos ao público via Twitter”, diz ele. “Para a entidade, estas ferramentas de trabalho são essenciais e indispensáveis em um mundo tão moderno. É uma avalanche de informações, em tempo real. Não tem como ficar fora”.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
Castigo!
Escrever matérias de finanças para agronegócios para a Rural era um "castigo' por alguma malcriação feita à chefia rsrs. Brincadeira!!
Troca-troca eficiente no campo
Operações de troca tornam-se cada vez mais seguras nas transações do agronegócio e garantem liquidez para produtores e empresas
Viviane Taguchi
Operações básicas e que remetem ao início do relacionamento mercantil entre os índios e os colonizadores europeus tem movimentado milhões de reais nas transações do agronegócio moderno no Brasil e consistem numa tendência financeira sustentável para produtores e fornecedores. O bom e velho sistema de trocas, o escambo, ou ainda, permuta, agora chamados de Operações de Barter, estão “salvando a lavoura” de muitos produtores rurais que se viam em dificuldades para obter crédito e adquirir sementes, fertilizantes e corretivos para sua produção, e também das empresas fornecedoras destes insumos, que enxergaram nas operações de barter uma forma de comercializar seus produtos sem riscos de calote. A modalidade já representa até 30% das vendas das multinacionais de insumos presentes no Brasil e devem movimentar US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos envolvendo as culturas de soja, algodão, milho, café, cana-de-açúcar, arroz, trigo e frutas.
Na prática, a Operação de Barter implica na antecipação da venda de insumos para os produtores rurais, que emitem uma Cédula de Produto Rural, CPR, comprometendo-se a entregar determinado volume de produção que corresponda aos valores de insumos recebidos. “Como se trata de commodities, é possível travar o preço de referência de acordo com a melhor oportunidade na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuro”, explica Dirceu Ferreira Junior, gerente nacional de barter da Syngenta, empresa líder no ramo. Na entrega da produção (que pode ser à vista ou à prazo para a próxima safra) a operação é triangulada, pela entrada de uma trading, que faz o pagamento diretamente à empresa. “Todas as operações de barter passam por uma criteriosa análise de riscos pela empresa e pela trading antes de serem feitas”. Segundo ele, as operações envolvem desde micro a mega produtores rurais. “É um tipo de operação onde todos ganham: o produtor sabe o quanto vai pagar e foge do risco das oscilações do mercado porque os preços já foram travados, enquanto a indústria reduz o risco de inadimplência, e a trading concentra em uma única compra a produção de vários produtores”. Para as perdas de safra provocadas por catástrofes climáticas, produtor, empresa e trading negociam caso a caso. Neste ano, a Syngenta trabalha a 10ª safra consecutiva com este tipo de operação.
O mercado está otimista, todas as empresas de insumos atuantes no Brasil trabalham a modalidade e almejam crescer. Em 2009, 30% das vendas da Syngenta foram baseadas em barter e a expectativa é que 2010 movimente algo em torno de 32%. Já a alemã Basf calculou em 10% o percentual atingido no ano passado, e espera que o barter atinja 30% de suas vendas até 2011, sobretudo com o início das operações envolvendo açúcar e etanol, enquanto a FMC almeja crescer 25% ainda no ciclo 2010/11. A empresa iniciou em 2009/10 o barter com soja, calcula lucrar US$ 30 milhões nesta safra e chegar aos US$ 100 milhões em 2013/14, segundo Gilberto Mattos Antoniazzi, diretor financeiro. Luiz José Fraga Traldi, diretor da planejamento estratégico da israelense Milenia Agrosciência, de Londrina (PR), onde o barter respondeu por 20% das vendas em 2009, almeja crescer mais 5% na modalidade. “O momento é bom e a indústria vai acompanhar o crescimento do segmento. É uma tendência positiva para toda a cadeia produtiva”.
No mercado internacional, porém, a operação barter simplesmente não existe devido à falta de títulos de garantia. “Conseguimos dar sustentabilidade às operações devido à existência da CPR, que é a garantia do negócio. Em outros países, não existem títulos semelhantes. Estamos tentando implantar o sistema em países que têm uma situação semelhante ao Brasil como a Argentina, e principalmente nos países do Leste Europeu, onde já existem projetos-piloto para isso”, diz Ferreira.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
Viviane Taguchi
Operações básicas e que remetem ao início do relacionamento mercantil entre os índios e os colonizadores europeus tem movimentado milhões de reais nas transações do agronegócio moderno no Brasil e consistem numa tendência financeira sustentável para produtores e fornecedores. O bom e velho sistema de trocas, o escambo, ou ainda, permuta, agora chamados de Operações de Barter, estão “salvando a lavoura” de muitos produtores rurais que se viam em dificuldades para obter crédito e adquirir sementes, fertilizantes e corretivos para sua produção, e também das empresas fornecedoras destes insumos, que enxergaram nas operações de barter uma forma de comercializar seus produtos sem riscos de calote. A modalidade já representa até 30% das vendas das multinacionais de insumos presentes no Brasil e devem movimentar US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos envolvendo as culturas de soja, algodão, milho, café, cana-de-açúcar, arroz, trigo e frutas.
Na prática, a Operação de Barter implica na antecipação da venda de insumos para os produtores rurais, que emitem uma Cédula de Produto Rural, CPR, comprometendo-se a entregar determinado volume de produção que corresponda aos valores de insumos recebidos. “Como se trata de commodities, é possível travar o preço de referência de acordo com a melhor oportunidade na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuro”, explica Dirceu Ferreira Junior, gerente nacional de barter da Syngenta, empresa líder no ramo. Na entrega da produção (que pode ser à vista ou à prazo para a próxima safra) a operação é triangulada, pela entrada de uma trading, que faz o pagamento diretamente à empresa. “Todas as operações de barter passam por uma criteriosa análise de riscos pela empresa e pela trading antes de serem feitas”. Segundo ele, as operações envolvem desde micro a mega produtores rurais. “É um tipo de operação onde todos ganham: o produtor sabe o quanto vai pagar e foge do risco das oscilações do mercado porque os preços já foram travados, enquanto a indústria reduz o risco de inadimplência, e a trading concentra em uma única compra a produção de vários produtores”. Para as perdas de safra provocadas por catástrofes climáticas, produtor, empresa e trading negociam caso a caso. Neste ano, a Syngenta trabalha a 10ª safra consecutiva com este tipo de operação.
O mercado está otimista, todas as empresas de insumos atuantes no Brasil trabalham a modalidade e almejam crescer. Em 2009, 30% das vendas da Syngenta foram baseadas em barter e a expectativa é que 2010 movimente algo em torno de 32%. Já a alemã Basf calculou em 10% o percentual atingido no ano passado, e espera que o barter atinja 30% de suas vendas até 2011, sobretudo com o início das operações envolvendo açúcar e etanol, enquanto a FMC almeja crescer 25% ainda no ciclo 2010/11. A empresa iniciou em 2009/10 o barter com soja, calcula lucrar US$ 30 milhões nesta safra e chegar aos US$ 100 milhões em 2013/14, segundo Gilberto Mattos Antoniazzi, diretor financeiro. Luiz José Fraga Traldi, diretor da planejamento estratégico da israelense Milenia Agrosciência, de Londrina (PR), onde o barter respondeu por 20% das vendas em 2009, almeja crescer mais 5% na modalidade. “O momento é bom e a indústria vai acompanhar o crescimento do segmento. É uma tendência positiva para toda a cadeia produtiva”.
No mercado internacional, porém, a operação barter simplesmente não existe devido à falta de títulos de garantia. “Conseguimos dar sustentabilidade às operações devido à existência da CPR, que é a garantia do negócio. Em outros países, não existem títulos semelhantes. Estamos tentando implantar o sistema em países que têm uma situação semelhante ao Brasil como a Argentina, e principalmente nos países do Leste Europeu, onde já existem projetos-piloto para isso”, diz Ferreira.
Dinheiro Rural - Setembro de 2010
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